sábado, 3 de dezembro de 2016

UM CÃOZINHO LÁ EM CASA (UM DIA DE LUTO)

Já disse neste espaço que fui contra ter cachorrinho em casa, principalmente em apartamento.
Nos exemplos que via eram desanimadores, exalando aquele cheiro de cachorro no ambiente fora aquela mania da cachorrada de ficar subindo na perna da gente, muitas vezes amarrotando a roupa, aquelas coisas julgadas desagradáveis.
Mas sendo o tempo senhor da razão, estou aqui me penitenciando e demonstrando que ninguém está imune a mudar de opinião.
De contrário, hoje sou favorável, mudam-se os sentimentos, mudam-se os costumes e, neste caso, foi "infinitamente" positivo pra mim, está sendo uma bênção conviver com o quatro patinhas.
Eu sabia que não resistiria conviver com animais sem me apegar, sentimental que sou! E não deu outra, mesmo!
E, animal, é seu costume, doa-se de graça, seu amor é infinito, totalmente demais, incondicional, sem pedir nada em troca. Quando reage é em defesa, nunca parte para o ataque sem motivo.
E o cachorrinho aqui de casa tem especial afeição por mim.
Devido à sua inocência e fragilidade, e pelo olhar sempre pedindo alguma coisa, fico sensibilizado, condoído de ver criatura tão indefesa e muitas vezes entregue à própria sorte.
Fico atento ao seu comportamento e é nesse particular que me concentro e fico observando.
Como fico mais tempo em casa, ele fica me observando e vigiando. De manhã, quando levanto ele já está a postos como se estivesse me esperando. Ele me segue e abro a porta para ele fazer xixi e cocô no quintal, ele sai correndo, bem ligeiro, parece apertado! Se encontra as portas dos quartos abertas, assim que retorna do quintal, ele pula de cama em cama, somente comigo estando na cama ele respeita, não sobe.
Onde eu estou ele está por perto, de companhia, se saio para algum lugar lá vem ele no meu encalço.
Se troco de roupa ele fica subindo na minha perna já de olho se vou sair ou não. O tilintar do chaveiro, com a chave do carro, é "código" pra ele de que vou sair e o bichinho fica em polvorosa, pulando que nem doido.
Ele já "pegou" também que o sinal de alarme é "mote" de que alguém vai sair ou chegar e fica de "butuca", agitado que só, correndo para todas as saídas e chegadas "disponíveis"!
Eita cachorrinho que gosta de um carro! Faz de tudo e muito mais para dar uma volta, sem falar que cachorro que se preza "adora" dar uma mijadinha básica num pneu ou correr atrás de um carro. Mas tem ojeriza por flanelinhas, é só ver um que fica rosnando e latindo adoidado.
Ele quando quer descansar se estira com as duas perninhas para trás parecendo um tapete, outra hora de queixo no chão, mas atento a tudo, qualquer movimento estranho e ele já se manifesta de alguma maneira.
Deitado, se a gente aproxima, o "sem-vergonha" se contorce todo de barriga pra cima à cata de um carinho, um afago, por menor que seja.
Quando vejo televisão sentado na poltrona, lá está ele debaixo bem deitadinho, num total silêncio. Interessante!
Adora brincar! Se a gente não está afim, ele vem com o brinquedo mordendo o pé da gente ou o dedão.
Gosta de ficar subindo na perna das pessoas, mesmo estranhas. Se conhece quem chega late desbragadamente, fica numa euforia só. E de lamber qualquer parte. Uns dizem que é carinho, outros dizem que é ciume, será?
Quando alguém está comendo, ele fica ali de olho fixo, aquele olho de pidão, mesmo que não "aprecie" o que a gente está comendo. Mas aquele olhar que dói a alma da gente fica ali o tempo todo, implorando!
Outra coisa que me chama muito a atenção nele é quando acorda: espreguiça se alongando as mãozinhas e, depois, os patas traseiras. E também, depois de uma corridinha ou de outro qualquer esforço, corre logo para tomar água, se "hidratar".
Deveríamos nos espelhar mais nos animais, especialmente nos cães. Seu modo de viver, descansar na hora certa, embora fique de prontidão para qualquer ato "suspeito" ou quando percebe algo de anormal.
Ficar de olho no seu comportamento, de exercitar naqueles alongamentos indispensáveis, hidratar, e, o principal, ser carinhoso e atencioso sem pedir nada em troca.
O que me impressiona nos animais é a dó que eles me provocam e o fato de não poderem se comunicar a não ser pelos olhos ou pelo rabinho saltitante. Num pode exprimir tristeza, no outro, alegria. Na Veterinária, tínhamos indícios de alguma coisa através da temperatura ou estado da pele. Difícil, não é?
O pouco que consigo, e consegui, é até alguma proeza, a de mandar ele subir no sofá e descer e ele obedecer, ou de chamar para ir comigo e ele ir. Sem prévio treinamento ou adestramento.
De tudo que sei é que ele pra mim é uma companhia indispensável; me ajuda, sem querer, no meu dia a dia, fico melhor psicologicamente, de uma forma ou de outra melhorou minha qualidade de vida, me faz sentir bem melhor.
E sinto falta do cãozinho quando me ausento, me preocupo com ele, se está bem alimentado, se está tomando sua aguinha...
Escrevi este texto em 2013, e hoje, com o coração sangrando, comunico que ele não resistiu.
Caminhando anteontem, dia 16, aqui nas imediações de casa, vi de longe um destes cachorros ferozes (rottweiler ou pit bull, na confusão nem consegui identificar direito), solto partindo correndo em direção ao Bento, o cachorrinho aí nos meus braços. Mal tive a oportunidade de puxar ele com guia para cima pelo meu braço direto, e o cão já partiu abocanhando o poodle (Bento).
Com os latidos de dor do cachorrinho, eu procurei de toda maneira defendê-lo. Me atraquei com a fera que causou muitos ferimentos no cãozinho, cai no asfalto com o pit bull, me esfolei os dois joelhos e o cotovelo direito e me deu uma dentada bem forte no antebraço esquerdo, com dois cortes profundos. Com a ajuda de um mulher que mandou que eu segurasse o cachorrão e ela iria cuidar do pequeno. Eu, com o braço já bem ensaguentado, tentei me livrar segurando na coleira, e, naquela situação de pânico, me desvencilhei com dificuldade, quando chegou um carro se oferecendo para segurar o Bento pela janela.
Morando ali perto, cheguei sangrando em casa, procuramos ir ao mais depressa para a UDI onde recebi soro antitetânico e ao Posto de Saúde Paulo Ramos onde fui vacinado contra o tétano e contra a raiva.
Estou aqui com sequelas no braço e nos joelhos, e, infelizmente meu sacrifício não foi suficiente para salvar a vida dele, que morreu, hoje da 18.
Estamos todos aqui consternados, tristes, pois um animal desses, com quem tínhamos tanto apego e carinho, e que ele retribuía em dobro, é ter que conviver com sua ausência de agora em diante.
Estou de luto!!!

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