terça-feira, 15 de novembro de 2016

REVENDO ARTIGOS: E LÁ SE FOI "ROQUE SANTEIRO"


Resultado de imagem para FOTOS ROQUE SANTEIRO
Não adianta ninguém afirmar que não gosta de novela. Gosta sim!
É naquela de um olho no peixe outro no gato! Com um olho "espia" o jogo, com o outro vê a novela.
Seja no trabalho, na excursão ou num restaurante, é muito comum a conversa "descambar" para a novela, e, normalmente, todos estão a par, dando seu pitaco e previsões dos próximos capítulos!
Condenar o vilão e defender o herói, faz parte. E, faz parte, também, ter simpatia por alguém e antipatia por outro.
Depois de "Beto Rockfeller", para mim a melhor de todas, disparado, foi esta reprisada pelo Canal VIVA!
"Pedra sobre Pedra", "Renascer" e "A Indomada" têm a mesma "pegada" da novela Roque Santeiro, mas a novela de Dias Gomes superou as demais em tudo.
A linguagem do dia-a-dia, o manda-chuvismo do Sinhozinho Malta, o todo poderoso de Asa Branca.
O interessante desta novela é que parece um "alongamento", um "apêndice" da novela, depois mini-série, "Bem Amado". A mesma linguagem rebuscada, os trejeitos, tudo igual!
(Faz-me lembrar, também, do "O Coronel e o Lobisomem", livro que li "forçadamente" para o vestibular na UFMG e gostei muito!).
Odorico Paraguassu era o prefeito de Sucupira, o mesmo jeitão e o mesmo palavreado de Sinhozinho Malta.
O Odorico tinha o assédio das irmãs Cajazeiras, o Sinhozinho assediava sem descanso a Viúva Porcina, que aprontava bastante (e como aprontava!).
Roque não era santo (nem de pau oco), nem havia morrido no "duelo" com Navalhada, e, Porcina era a viúva (que foi sem nunca ter sido). E, por alguns acontecimentos "bizarros",o Roque se tornou milagreiro e a cidade de Asa Branca passou a "viver" desse milagre, com romeiros vindos de tudo quanto é parte, e, apareceram vivaldinos e oportunistas "explorando" esse filão que apareceu de repente! Parecendo nossos políticos de hoje!
Roque retornando foi um deus nos acuda. Tudo o que não podia acontecer. Revelar que estava vivo, nem pensar! Ia botar Asa Branca abaixo, nem uma bomba atômica, prisão de Lula, impeachment de Dilma, poderia causar tanto estrago!
E a novela se desenrola a partir daí. O herói de mentirinha retornou e o povo não poderia descobrir!
E, ainda, apareceu uma equipe para fazer um filme sobre o herói milagreiro, "A Saga de Roque Santeiro".
Neste vai e vem, a elite de Asa Branca (o prefeito Florindo Abelha, o industrial, Zé das Medalhas e o Padre  Hipólito) se reunia com o poderosíssimo Sinhozinho Malta para ver o que fazer para a notícia não vazar, para que Roque ficasse escondido e Asa Branca não fosse virada pelo avesso, sabendo que tudo era falso, mentira, enganação! E Sinhozinho dava as cartas, batia na mesa, coordenava e ordenava. E não tinha conversa!!!
Sinhozinho Malta, aquele fazendeirão matreiro, cheio de dedos, manda fazer e esconde a mão, manda o Prefeito sair da mesa e senta em seu lugar, quer mandar no padre, tira sarro pra cima do medalheiro, complicado o homem!
De paletó ou blusa, de lencinho no pescoço, bota e cinto de couro, com aqueles apetrechos de metal.
Caipirão, mas sabia falar português, se aventurou em inglês, quando foi a uma exposição de gado nos States. E deu show! Como ele aprendeu inglês, como diria a Perpétua da novela "Tieta": "- mistério!".
"Tô certo ou tô errado?", sua principal fala e bordão. E balançando o punho direito com aquela pulseira de garimpeiro de Serra Pelada, crivada de ouro!
Porcina era emperiquitada, toda colorida, tinha uma indumentária totalmente personalizada.
Vivia às turras com Sinhozinho, mas eram feitos um para o outro, tanto que terminaram juntinhos!
Viúva Porcina foi uma tramoia de Sinhozinho para acobertar seu "furdunço" com a amante. Fraudou um casamento fajuto num cartório da vizinhança, e, como só acontece em novelas, a coisa durou por muito tempo.
Tinha o lobisomen (Professor Astromar, intelectual que só usava palavas difíceis - ninguém entendia seus longos discursos), Roberto Mathias (astro principal do filme - paquerava todas as mulheres da cidade, sempre se envolvia em confusões, pulando cercas, saltando obstáculos cheios de lama, fugindo de cachorros), Linda Bastos (a paixão do diretor Gérson do Valle).
A Pousada do Sossego (todo mundo se hospedava lá - antes era um convento). Ali aconteciam as "histórias" de alcova!
Havia a Vila Miséria do padre Albano, seduzido pela filha do "Coronel" (Sinhozinho virava bicho se alguém o chamasse deste "cognome" - e o padro Albano só o chamava assim), a Tânia - um calo na botina do manda-chuva!
Filho de uma que ronca e fuça, vermelhista, safadista, bundão, desclassificado (outras do Sinhozinho quando se referia ao padre esquerdista). Fora aquela: - não sei de nada, não me digue nada, não falei nada e não me fale nada!
Eu poderia me estender mais sobre esta novela, mas poderia ficar cansativo!
Inesquecível!
Uma pena ter acabado!
Agora, só em DVD!

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