sexta-feira, 4 de novembro de 2016

EDITORIAL DE "O TEMPO" (OPINIÃO): SEM PERDÃO

As autoridades do governo fazem desde ontem um novo esforço no sentido de conter os acidentes de trânsito no país, que matam quase 50 mil pessoas por ano. Desta vez, decidiram aplicar um aumento geral no valor das multas e agravar algumas infrações.

Os valores ficaram mais pesados nas multas gravíssimas quando agravadas por fator multiplicador, como dirigir sob influência de álcool ou de substância que cause dependência. Nesse e em mais quatro casos, a multa pulou de R$ 1.915,40 para R$ 2.934,70.

Como de outras vezes, o Estado resolveu “atacar” o bolso do cidadão, considerada sua parte mais sensível. A medida é eficaz, mas só até certo ponto, agindo psicologicamente no sentido de demover o motorista de cometer infrações que possam onerá-lo.

Se o condutor, no entanto, tiver a certeza de que não será fiscalizado e, portanto, ficará sem punição, ele cometerá a infração tranquilamente. Quando ele sabe que numa via opera um aparelho de radar, por exemplo, ele se contém e não abusa da velocidade.

Se esse motorista deixa de correr não é porque receia pela própria vida ou pela dos outros. Essa preocupação não faz parte de seus valores, alimentados por individualismo, imediatismo e autorrealização. Desde que tenha sucesso em suas ações, ele prossegue.

O quadro da mortalidade no trânsito não vai mudar, no Brasil, enquanto não se instalar uma cultura da responsabilidade entre os cidadãos, sejam motoristas ou não. Muitos brasileiros não estão habituados a observar as leis e só o fazem por causa da punição.

Aquela responsabilidade é determinada pela formação ética construída por meio da educação para a cidadania. A ética resulta de uma intensa reflexão para a constituição de uma convicção íntima e pessoal a respeito de nossa convivência na sociedade.

Multas, o indivíduo paga; culpa, irresponsabilidade não têm perdão.

Fonte: http://www.otempo.com.br/

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