quarta-feira, 9 de novembro de 2016

BLOG "CONTRA O VENTO"

A HISTÓRIA É IMPLACÁVEL

A reincidência de Duda Mendonça confirma: o antigo marqueteiro do reino sempre torceu pelos ratos. Para escapar da Lava Jato, o inventor do Lulinha Paz e Amor e dos roedores da bandeira nacional reprisa a vigarice que o livrou do Mensalão

Em agosto de 2005, o marqueteiro Duda Mendonça apareceu sem avisar na CPI que investigava o escândalo do Mensalão. Chorando lágrimas de esguicho, na imagem perfeita de Nelson Rodrigues, jurou que fora obrigado a abrir contas ilegais num paraíso fiscal para receber o pagamento pela campanha eleitoral de 2001. Graças ao truque, o inventor do Lulinha Paz e Amor. caiu fora do processo que se arrastava no Supremo Tribunal Federal ─ e escapou de uma possível temporada na gaiola.
Na semana passada, decidido a reprisar a vigarice, Duda apresentou-se sem marcar hora a investigadores da Operação Lava Jato. Com voz embargada, confessou que se viu forçado a recair na delinquência para embolsar o que lhe devia Paulo Skaf, candidato a governador de São Paulo em 2014, que contratou os serviços do ex-marqueteiro de Lula. E propôs um acordo: em troca da preservação do direito de ir e vir, revelaria detalhes que pioram ainda mais o retrato do presidente da Fiesp.
Pelo menos três constatações recomendam que a proposta seja atirada à lata de lixo mais próxima. Primeira: a delação premiada da Odebrecht, que abrange também a campanha de Skaf, torna dispensável o que Duda tem a dizer. Segunda: o marqueteiro chorão é um reincidente compulsivo. Terceira: esse defeito de fabricação só tem conserto na cadeia. Se escapar de novo pelo atalho da malandragem, daqui a 11 anos estará de volta para confessar que pecou outra vez.
Na campanha presidencial de 2002, aliás, fez sucesso o filmete criado por Duda em que a bandeira do Brasil era roída em poucos segundos por um bando de ratos. Exibida no horário eleitoral do PT, a peça de propaganda foi concebida para vender a ideia de que o partido do candidato Lula detinha o monopólio da ética. Os outros ─ “eles” ─ não passavam de assaltantes de cofres públicos.
O Mensalão mostrou que os roedores que se multiplicam no comercial eleitoreiro moravam nos esgotos do PT. O Petrolão provou que roeram furiosamente muito mais do que bandeiras. O que parecia propaganda eleitoral era programa de governo. Soube-se então que os bichos só pararam de fazer o que fazem no vídeo quando a Lava Jato chegou. Agora se sabe também que Duda Mendonça sempre esteve do lado dos ratos.*

(*)  Blog do Augusto Nunes

O LULOBYSTA DA ODEBRECHET

Odebrecht negocia acordo bilionário com Brasil, EUA e Suíça
canalha
É uma espécie de tudo ao mesmo tempo agora, com o objetivo de salvar a Odebrecht da bancarrota. Ao mesmo tempo em que finaliza uma megadelação, com cerca de 70 executivos, o grupo negocia um acordo de leniência com os Estados Unidos e a Suíça, que deve resultar no que os procuradores americanos consideram a maior multa já paga em tratos desse gênero no mundo, de cerca de R$ 6 bilhões.
O valor final, que ainda está sob discussão, será dividido pelos três países, segundo a Folha apurou. No estágio atual das negociações, o Brasil ficaria com pouco mais da metade dos R$ 6 bilhões e os EUA com o segundo maior montante.
A Siemens detém o recorde de valor pago por violações da lei americana anticorrupção, com uma multa de US$ 800 milhões em 2008 (hoje o valor equivale a R$ 2,5 bilhões).
O acordo negociado com os Estados Unidos contempla tanto o Odebrecht como a Braskem, indústria petroquímica que pertence ao grupo e é a maior da América Latina. A avaliação na Odebrecht é que o acordo nos Estados Unidos é tão essencial para a sobrevivência do grupo quanto o que está sendo costurado no Brasil.
Se as tratativas com os EUA fracassarem, o grupo pode quebrar, na avaliação dos negociadores da Odebrecht. Foi por esse mesmo motivo que Emílio Odebrecht, que preside o conselho de administração do grupo, decidiu fazer os acordos no Brasil, contra a vontade de seu filho, Marcelo Odebrecht, que está preso desde junho do ano passado.
O grupo Odebrecht e a Braskem têm negócios nos Estados Unidos e violaram, em tese, uma lei que proíbe o pagamento de propina a agentes públicos no exterior chamada FCPA (Foreign Corrupt Practices Act), ou Lei Anticorrupção no Exterior.
A Odebrecht é a maior empreiteira brasileira e o grupo teve um faturamento de R$ 132 bilhões no ano passado.*

(*) MARIO CESAR CARVALHO – DE SÃO PAULO – BELA MEGALE – DE BRASÍLIA  – FOLHA DE SÃO PAULO

O JUIZ DO BEM

Aguente firme, Sérgio Moro

spon-homenagem-a-moro
Os lacaios do lulopetismo e integrantes de outras correntes estridentes recrudesceram os ataques a Sérgio Moro desde que o Comandante Máximo tornou-se réu na Lava Jato.
Moro foi chamado de inepto, parcial, ignorante, Savonarola, Tirano de Siracusa e até mesmo ridículo. Acusaram-no, ainda, de nutrir ambições políticas e alimentar o culto à própria personalidade, por intermédio da página da sua mulher no Facebook. Bobagem. Se eu fosse a mulher de Moro, teria orgulho de manter uma página sobre o maridão — e faria de tudo para incluir fotos e filminhos dele. Não duvido, aliás, que o juiz tenha sido obrigado a fazer um acordo doméstico de colaboração premiada com a sua querida Rosângela.
Quando Moro apareceu na Veja, deixando-se fotografar no embarque para a sua mais recente viagem aos Estados Unidos e dentro do avião, eu não gostei. Achei que ele havia aberto uma brecha para os seus inimigos — para os nossos. Ainda assim, Moro não fez nada de eticamente reprovável. Natural que tenha cedido um pouco à vaidade e também pensado que, pelo fato de ser a figura pública mais aclamada do Brasil, os leitores da revista tinham o direito de saciar minimamente a curiosidade sobre a sua vida.
Com Lula réu, diante da fúria dos lacaios do lulopetismo e integrantes de outras correntes estridentes, Moro deu uma grande entrevista a Fausto Macedo e Ricardo Brandt, no Estadão. Reafirmou que jamais entraria para a política (ele sabe muito bem que Antonio di Pietro, o juiz da Mãos Limpas, errou ao enveredar por tal caminho), disse que o foro privilegiado deveria ser restringido, esclareceu pela enésima vez que a corrupção é causadora de instabilidade, não o seu enfrentamento, e que a Lava Jato não tem data para terminar, uma vez que continuam a surgir informações sobre o maior esquema de corrupção do país.
A decisão de conceder a entrevista foi boa, inclusive como forma de apaziguar-se, mas espero que Moro silencie de agora em diante. Que fale apenas por meio dos autos. Pelo simples motivo de que não adianta nada tentar combater com a lógica esses detratores. Você vai de florete, os sujos vêm com gás sarin.
Transmito aqui a minha mensagem: prezado Sérgio Moro, no tribunal da história, o senhor já entrou como o maior juiz brasileiro — e eles todos, como réus. Enquanto a posteridade não chega, aguente firme o tranco do presente, porque todos os cidadãos de bem estão do seu lado.*
(*) Mário Sabino – O Antagonista

ETERNOS CANALHAS

Falta ao pacote de Pezão um pedido de perdão
quadrilha-do-rio-de-janeiro
Luiz Fernando Pezão, governador do Rio de Janeiro, informa que o Estado só tem dinheiro para pagar sete dos 13 salários da folha dos servidores em 2017. Ele diz isso para convencer as pessoas a digerirem o pacote de maldades que seu governo editou. ”Quando há déficit, todos são chamados para colaborar”.
Faltam a esse discurso ensaiado do governador duas coisas. A primeira é uma pergunta: “Como foi que Pezão chegou a essa situação?” A segunda coisa é um bom e convincente pedido de desculpas. Sem isso, faltará a Pezão, além do dinheiro, autoridade para conter badernas como a promovida por policiais que acham que podem cercar e até invadir a Assembléia Legislativa.
Por ora, Pezão diverte a plateia com suas platitudes. Produz frases desse tipo: ”Claro que a gente torce para a economia melhorar, mas não podemos contar com isso e temos que ter medidas que olhem para o futuro e para as dificuldades que teremos”.
O futuro, como se sabe, a Deus pertence. Mas e quanto ao passado do Rio de Janeiro, quem responderá pore ele? Políticos não gostam de autocrítica. Mas Pezão não será levado a sério enquanto não começar a refletir sobre o caos a partir de uma admissão dos erros cometidos pelo grupo político que representa.
A crise do Rio não é obra do alheio. Foi produzida pela irresponsabilidade, a imprudência e os desvios praticados nos últimos 13 anos pelas administrações do PMDB, comandadas ora por Sérgio Cabral ora por Luiz Fernando Pezão. O mínimo que os cidadãos merecem é um gesto de contrição. Não resolve o problema. Mas atenua a sensação de desrespeito.*

(*) Blog do Josias de Souza

NOVIDADE, É?

Reeleição de Dilma pode ter custado quatro vezes mais do que o declarado à Justiça
lula-homem-de-visao
“Foi notoriamente um festival de abuso de poder econômico”, disse o ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, a respeito do que a ex-presidente Dilma Rousseff pode ter gastado em campanha para se reeleger em 2014.
Gilmar falou para brasileiros e americanos reunidos, ontem, no Brazil Institute of Wilson Center, centro de estudos sobre o Brasil sediado em Washington. Oficialmente, Dilma gastou R$ 318 milhões. Especialistas calculam que o gasto chegou RS 1,3 bilhão.
A palestra de Gilmar foi sobre o uso de caixa dois nas campanhas brasileiras – dinheiro não declarado à Justiça que empresários doam e que políticos usam para se eleger. Muitas vezes, parte desse dinheiro simplesmente é embolsada por quem o recebe.
E com frequência, trata-se de dinheiro que resulta de superfaturamento de obras públicas. Quer dizer: dinheiro público, que devolvido a partidos e a políticos serve para financiar campanhas ou simplesmente enriquecê-los.
A Justiça Eleitoral apura se dinheiro de propina da Petrobras alimentou a campanha de Dilma. Se concluir que sim, a chapa Dilma-Temer poderá ser impugnada. Para Dilma não mudará nada, mas Temer seria afastado da presidência da República.
Segundo Gilmar, só no próximo ano haverá uma decisão a respeito.  “O tribunal vai ter de fazer uma avaliação dentro de um quadro de grande responsabilidade institucional, porque de fato já temos instabilidade de sobra no nosso contexto”, afirmou.
Caso Temer perdesse o cargo, caberia ao Congresso eleger o substituto dele que governaria até a eleição do próximo presidente em 2018. Mas é improvável que Temer seja afastado, a julgar pelo que se ouve em Brasília de ministros do Supremo Tribunal Federal.
O mais certo é que aconteça o que Gilmar insinuou ao observar:
– Independentemente do resultado e da posição que o tribunal venha a assumir, esse caso vai ser um caso histórico, pois vai nos permitir saber o que foi feito na campanha de 2014. E vai nos permitir dizer ‘isso não se pode mais fazer’.*
(*) Blog do Ricardo Noblat

LEGADO DOS CONCHAVOS LULA-CABRAL-PAES

Estado de anarquia

Rio tem aposentado de R$ 75,5 mil e servidor ativo de R$ 48,7 mil. Estado aumenta imposto, mas não sabe o valor dos incentivos que deu nos últimos anos
auto_alecrim
Governantes não sofrem de estresse, eles provocam nos governados. No Rio, como em outros 11 estados, a má gerência pública ameaça o humor e os bolsos de 16,4 milhões de habitantes. Para tapar parte do buraco cavado nas contas estaduais durante décadas, o governo decidiu aumentar o principal imposto local (ICMS), que é cobrado em cascata da fabricação até o consumo de produtos e serviços.
Por isso, viver no Rio vai custar mais na energia, na gasolina, na cerveja, no chope, na telefonia e na internet. Exemplo: se o estado arrecadava R$ 57 numa conta de luz de R$ 200, a partir de janeiro tomará R$ 64 do consumidor. Os chefes do Executivo, Legislativo e Judiciário fluminenses são incapazes de garantir que em 2017 não haverá novos aumentos na carga tributária.
Mostram-se impotentes, também, para assegurar pagamento dos 470,4 mil inscritos na folha de pessoal. Ano passado eles custaram R$ 1.914,27 a cada habitante — 12,5% acima da média per capita nacional. O Estado do Rio tem mais servidores inativos (246,7 mil) do que em atividade (223,6 mil). Sua folha salarial espelha a devastação administrativa executada por sucessivos governos, por interesses políticos e corporativos.
Há aposentadorias de até R$ 75,5 mil no antigo Departamento de Estradas de Rodagem e de R$ 53,4 mil na Fazenda estadual — mostram dados da Secretaria de Planejamento. Entre servidores ativos, existem remunerações de até R$ 48,7 mil na Defensoria Pública; de R$ 47,2 mil na Fazenda; de R$ 41,9 mil no Detran; de R$ 39 mil na Procuradoria-Geral, e, de R$ 38,2 mil no Corpo de Bombeiros.
Em setembro, o sistema de pagamentos do funcionalismo registrou nada menos que 312 tipos de vantagens, gratificações, auxílios, adicionais e abonos à margem da remuneração convencional. Contam-se, por exemplo, 188 variedades de gratificações e 42 auxílios. Premia-se por “assiduidade” quem comparece ao trabalho.
Gratifica-se por “produtividade”, “desempenho”, “aproveitamento”, “responsabilidade técnica”, “qualificação”, “habilitação”, “titulação” e “conhecimento”. Paga-se por “produção”, “resultados” e até por “quebra de caixa” — aparentemente, quando o saldo é positivo. Tem até uma gratificação “extraordinária de Natal”.
Cargos de confiança no governo, na Assembleia ou no Tribunal de Justiça têm adicionais por anuênios, triênios e quinquênios, além de “verba de representação”. Participantes de conselhos ganham “gratificação de órgão de deliberação coletiva”, “jeton” e “honorários”. Em paralelo, pagam-se adicionais por “titularidade”, por “atribuição” e até por ocupação de cargo de “difícil provimento”.
Existem também “retribuições”, como a de “licenciamento de veículos” e a de “exame de direção”. O estado perdeu o controle das suas contas. Não sabe sequer o valor das renúncias fiscais que concedeu nas últimas três décadas — o TCE estima entre R$ 47 bilhões e R$ 185 bilhões. Há casos de incentivos a só um beneficiário, alguns por tempo indeterminado, e vários decididos sem o aval da Fazenda.
O orçamento estadual é um clássico de conta feita para indicar como será aplicado o dinheiro que já foi gasto. Numa insólita rubrica da folha de pessoal prevê até um bálsamo para dificuldades financeiras: “Adiantamento funeral”.*
(*) José Casado – O Globo
Fonte: http://www.contraovento.com.br/

Nenhum comentário: