sábado, 8 de outubro de 2016

CAINDO NO RIDÍCULO

Piada do Ano: PT culpa ajuste fiscal, Lava Jato e mídia por perda de prefeitura

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A cúpula do PT avaliou nesta quarta-feira que a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, foi a maior responsável pela derrota do partido nas eleições municipais. O partido também atribui ao ajuste fiscal do governo Dilma Rousseff parte da onda antipetista que tomou o País. Na primeira reunião da Executiva Nacional após a sigla perder 256 das 635 prefeituras sob seu comando, dirigentes petistas não esconderam o abatimento com o fracasso, principalmente em São Paulo, e mostraram divergências sobre os rumos a seguir.
“Estamos enfrentando uma campanha de massacre. Há um Estado de exceção em andamento no País”, disse Falcão. Uma resolução política, aprovada no encontro, diz que a “escalada antipetista” da Lava Jato desencadeou “ofensivas fraudulentas, mas de ampla repercussão” contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ex-ministros às vésperas das eleições.
O documento sustenta, ainda, que o “aprofundamento da crise econômica, a criminalização do PT e a ação corrosiva da mídia monopolizada erodiram a base eleitoral progressista”, provocando o revés nas urnas. Na distribuição de culpas, o partido também citou a “reforma política” comandada pelo então presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje cassado, que reduziu o tempo de campanha.
SEGUNDO TURNO – “Com um pouquinho mais de campanha, o prefeito Fernando Haddad teria ido para o segundo turno”, lamentou. Apesar de apontar o dedo para fatores externos, como a Lava Jato, Falcão admitiu que o PT cometeu erros e vai tirar “lições” da derrota.
“Mas é muito difícil acertar rumos no meio de uma guerra”, afirmou o deputado Reginaldo Lopes (MG), que ficou em quarto na disputa pela prefeitura de Belo Horizonte. Secretário de Assuntos Institucionais do PT, Lopes disse que o partido precisa mudar não apenas sua direção, mas também o discurso.
“O PT deve uma satisfação à sociedade. Se ficar só na tese do golpe, aí é dialogar com uma bolha muito pequena. A sociedade quer saber como vai retomar o emprego e melhorar de vida”, argumentou o deputado, numa referência ao discurso do “golpe”, adotado para explicar o impeachment de Dilma.
A Executiva do PT também orientou seus militantes a apoiarem as candidaturas do PSOL, do PCdoB, do PDT e da Rede, no segundo turno. O candidato do PSOL no Rio, Marcelo Freixo, disse aceitar o apoio do PT, mas não quer Lula no palanque.*
(*) Vera Rosa – Estadão

ACABOU A GRATIDÃO

Dilma foi abandonada por todos no TCU

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Alguns dos que acompanharam os julgamentos das contas de Dilma Rousseff pelo TCU ficaram surpresos com o posicionamento de Walton Alencar sobre os balanços de 2014 e, agora, de 2015.
Flagrado em trocas de mensagens com Erenice Guerra, Walton era os olhos e ouvido da então ministra Dilma Rousseff no TCU.
Em trocas de favores, conseguiu emplacar a mulher, Isabel Gallotti, como ministra do STJ.
Numa das mensagens, ao agradecer o empenho de Dilma e outras autoridades no processo, chegou a dizer o seguinte: “sei bem a quem devo por estar no jogo”.
Pois é, com o inferno astral de Dilma e do PT. Quem devia, já não parece não dever mais e quer a todo o custo se libertar das amarras de acordos com o grupo derrotado.*
(*) Severino Motta – Coluna Radar – Veja.com

OPERAÇÃO LAVA JATO AGAIN

Zavascki divide principal inquérito da Lava Jato e inclui Lula

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O ministro no STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki autorizou nesta quinta (6) o fatiamento do principal inquérito da Operação Lava Jato em tramitação na corte. Chamado de “quadrilhão”, ele mira o núcleo político do suposto esquema de corrupção da Petrobras.
Ao acolher o pedido feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República), Zavascki dividiu esse procedimento em quatro inquéritos diferentes e incluiu em um deles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme pleiteou o Ministério Público.
A investigação foi aberta em março do ano passado e focava em 66 políticos filiados a PT, PMDB e PP. Com o fatiamento, será instaurada uma investigação sobre a atuação dos políticos do PT e outra para os do PP. Um terceiro terá como alvo os quadros do PMDB no Senado e o último, os peemedebistas da Câmara.
Na lista de suspeitos, além de Lula, estão personagens como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL); o ex-presidente da Câmara Waldir Maranhão (PP-MA); e presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI).
No parecer em que pede a separação dos casos, o procurador Rodrigo Janot afirma que políticos de diferentes partidos se organizaram em uma estrutura criminosa para desviar recursos da Petrobras e de outros órgãos da administração pública .
“Como destacado, alguns membros de determinadas agremiações organizaram-se internamente, valendo-se de seus partidos e em uma estrutura hierarquizada, para cometimento de crimes contra a administração pública”, diz Janot.
Na peça, o PGR descreve os políticos investigados como integrantes de uma quadrilha organizada.
“Elementos de informação que compõem o presente inquérito modularam um desenho de um grupo criminoso organizado único, amplo e complexo, com uma miríade de atores que se interligam em uma estrutura com vínculos horizontais, em modelo cooperativista, em que os integrantes agem em comunhão de esforços e objetivos, e outra em uma estrutura mais verticalizada e hierarquizada, com centros estratégicos, de comando, controle e de tomadas de decisões mais relevantes”, detalha.*
(*) GABRIEL MASCARENHAS – DE BRASÍLIA – FOLHA DE SÃO PAULO

FIM DA ERA DA CANALHICE

O desemprego derrotou o PT

Lava-Jato ajudou a dizimar partido. Mas se a economia estivesse caminhando bem, como no mensalão, o povão seria mais tolerante
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Domingo à noite, já conhecidos os principais resultados eleitorais, fui a um restaurante paulistano daqueles bem ecumênicos. Ali se cruzam políticos, economistas, profissionais liberais, executivos dos setores público e privado, um ambiente que se chamaria de elite intelectual, formadores de opinião, por aí. E sendo São Paulo, há uma clara dominância de tucanos e petistas.
Reparem: no eleitorado, o PSDB tem dado banhos seguidos. Mas o PT ainda é mais forte na elite do que no povão. Bem mais forte. Por exemplo: em eleições simuladas entre alunos de ensino médio em colégios caros da cidade de São Paulo, Fernando Haddad ganhava no primeiro turno.
Isso resulta do espírito socialista da juventude — hoje centrado em temas que vão da igualdade de gêneros e racial, até as famosas ciclovias — turbinado por uma verdadeira doutrinação aplicada por professores entre os quais ser do PT é até moderado. Tudo considerado, caem na esquerda: ciclovias, parada gay, pichação, fechar avenidas aos domingos, atrapalhar tudo que é privado.
Vão para a direita: 90 km/h nas avenidas marginais, abrir ruas aos carros, privatizar até cemitérios, ganhar dinheiro. O Uber é gozado. Sendo uma multinacional americana, deveria ser odiada pela elite/esquerda, mas, sabem como é, quebra um galho, funciona tão bem — melhor deixar pra lá.
Já os funcionários daquele restaurante onde iniciamos esta história votaram quase todos no tucano João Doria — que, aliás, não faz parte do grupo típico de frequentadores. Mais exatamente, os garçons, caixas e cozinheiros votaram contra o PT. Não, não são de direita. São trabalhadores, por isso são antipetistas.
Simples: dois anos atrás, o restaurante tinha o dobro de funcionários. A crise foi cortando cabeças e espalhando o temor entre os que ficavam. Temor e mais serviço, do que, aliás, não reclamavam. Ao contrário, contavam animados que o movimento estava voltando. A Lava-Jato ajudou a dizimar o PT. Mas se a economia estivesse caminhando bem, como estava na época do mensalão, o povão seria mais tolerante.
Até deixaria passar a tese de que roubar era coisa de rico. O mensalão é dinheiro de troco diante do petrolão. Também era mais difícil de entender, porque os culpados juraram inocência até o fim. Já agora, o pessoal confessa o roubo de centenas de milhões de reais e dólares, ao vivo na TV. E não dá para dizer que roubam mas fazem, ou que roubam para ajudar o partido do povo.
Como dizer isso diante de 12 milhões de desempregados, inflação acima de 10% ao ano, perda do poder aquisitivo e colapso dos serviços públicos? Dilma, Lula e sua turma tentaram dizer que foi tudo culpa da crise do imperialismo. Não colou, lógico, pois os mesmos Lula e Dilma alardeavam que seu governo sabia driblar as crises dos outros.
Além disso, os mais ou menos informados viram que, dos países importantes, o Brasil é o único em recessão. Por tudo isso, vai ser muito difícil a recuperação do PT. O primeiro passo seria reconhecer o equívoco da política econômica aplicada desde o segundo governo de Lula, quando, sob o comando de Dilma, abandonou o projeto de estabilização e pró-mercado herdado de FHC.
Mas no debate do PT as primeiras vozes dizem que o partido se perdeu por ter ido demais à direita. Ora, o partido não se desviou para a direita. Se desviou para a corrupção e para a velha politicagem brasileira — aliás também condenada pelo “não voto” (nulos, brancos e abstenções). Caímos no pior dos mundos: uma política econômica da esquerda falida, a bolivariana, tocada por um partido que aderiu às piores práticas dos velhos políticos. Momento difícil, portanto.
A eleição deixou mais perdedores do que vencedores. Os eleitores condenaram o PT, a esquerda velha e corrupta, o modo de fazer política que nos atrasa há tanto tempo. Mas não ficou claramente de pé uma nova agenda, a das reformas liberais e pró- mercado. O prefeito eleito de São Paulo, João Doria, falou dessa agenda.
Também a defendeu o prefeito reeleito de Salvador, ACM Neto, campeão de votos. A questão é saber se foram eleitos principalmente por causa dessa agenda ou se o fator dominante foi a onda anti-PT e antipolíticos. Sabere- mos ao longo dos próximos meses, dependendo, sim, da atuação desses prefeitos, mas que é limitada e local.
O serviço maior para a saída da crise depende do da atuação do presidente Temer e sua base de deputados e senadores. Sim, daqueles nos quais o povo não votou. Complicado.*
(*) Carlos Alberto Sardenberg, O Globo
Fonte: http://www.contraovento.com.br/

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