sexta-feira, 7 de outubro de 2016

ACÍLIO LARA RESENDE: AS ELEIÇÕES PROVARAM QUE O DISCURSO DO GOLPE É PURA FALÁCIA

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PUBLICADO EM 06/10/16 
As eleições municipais de 2016 – assim registrará amanhã a história – provaram que é pura falácia a narrativa de que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi um golpe. Provaram, também, que os brasileiros, em sua maioria, não querem saber do PT ou, pelo menos, desse PT que imaginou governar o Brasil por muitos e muitos anos, e sob a falsa profecia de que a salvação das classes mais pobres estaria, para sempre, em suas mãos, hoje nada limpas, como um dia pensaram que fossem. Se alguns de seus verdadeiros idealistas – que, em sua origem, de fato existiram – dele se desligaram faz tempo, envergonhados com o que fizeram do partido, outrora considerado o “paladino” da ética, seus maiores dirigentes, com o ex-presidente Lula no comando, outros, certamente, dele se despedirão a partir de agora.

A propósito, um episódio que também ficará na história foi o que envolveu Ricardo Lewandowski, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), no último dia 27. A seus alunos, na Faculdade de Direito da USP (Lewandowski leciona lá Teoria Geral do Estado), o ministro, que comandou o processo no Senado Federal, classificou o impeachment como um “tropeço da democracia”: “O impeachment encerra, novamente, um ciclo daqueles aos quais eu me referi. A cada 25, 30 anos, no Brasil, nós temos um tropeço na nossa democracia”. Ao dizer isso, talvez achando que as paredes da faculdade lhe dariam completa privacidade, deu chance a que Gilmar Mendes, seu colega no STF, dissesse que “o único tropeço foi aquele do fatiamento”.

Na realidade, leitor, o PT perdeu nas capitais, nas prefeituras e em número de eleitores. Ninguém, nem mesmo o mais genial dos marqueteiros, seria capaz de anunciar, com antecedência, o desastre de que foi vítima. Em 2012, o partido tinha 644 prefeituras e, agora, a partir dessas eleições, apenas 256. Seu eleitorado, que era de 27,6 milhões, simplesmente encolheu para 4,4 milhões. Isso se deu no primeiro turno, mas nada indica que a situação vai melhorar no segundo. Além do mais, foi a primeira vez que o PT ficou fora da disputa do segundo turno em São Paulo. Obviamente, a derrota estrondosa do PT se tornou ainda mais enfática com a vitória do candidato do PSDB na maior capital do país. E o primeiro beneficiário da vitória de João Doria, tanto no Estado de São Paulo quanto fora dele, é o sortudo e insistente governador Geraldo Alckmin, que, sobretudo para os tucanos paulistas, será o candidato do partido à Presidência da República. Com certeza, leitor, nem mesmo o governador imaginava uma vitória tão acachapante.

Em São Paulo, o candidato, primeiro só do governador Geraldo Alckmin e, depois, do PSDB, dizia que era um mero gestor, não um político. A afirmação, além de pura demagogia, é uma meia verdade. Doria, ainda muito jovem, exerceu o cargo de secretário municipal (de Turismo) e presidente da Paulistur, no governo de Mário Covas, e, logo depois, o de presidente da Embratur, no governo de José Sarney.


E é esse, leitor, o argumento que Alexandre Kalil, do PHS, concorrente de João Leite, do PSDB, na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte, usou antes, no primeiro turno, e usará agora, no segundo turno. Kalil tem afirmado e reafirmado que só quer aliança com o povo, deixando de lado, assim, o que mais busca o seu concorrente. De fato, teoricamente, as alianças partidárias é que poderão decidir o pleito. Mas elas não são favas contadas. Tudo pode acontecer neste segundo turno.
Fonte: http://www.otempo.com.br/

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