quarta-feira, 7 de setembro de 2016

QUANDO O AMOR (E A FIDELIDADE) FALA MAIS ALTO

Quem nunca se deparou com algo que lhe toca o coração e sua alma, que, na maioria das vezes lhe provoca uma lágrima que cai?
A compaixão, normalmente, é reflexo do que a gente pensa sobre a dor que o outro está (ou estaria) sentindo.
No meu tempo de criança, parecíamos dominados pelo instinto selvagem. Via muitas atrocidades na hora do abate de animais para a venda ou consumo: a degola de uma galinha; a colocação de uma faca na nuca de um bovino, martelada logo em seguida, e, era doloroso ver o animal se contorcendo e se aniquilando no chão. A introdução da faca debaixo da pata dianteira de um suíno para atingir o coração, era doloroso ver o animal se estrebuchando, tremendo e em convulsão, até ficar paralisado.
Via isso com naturalidade, não havia sido, ainda, educado para saber que ali, antes de tudo, tem vida, e tirar a vida não é tão normal assim.
Ainda criança, a gente não tinha dó de pegar um passarinho pego no alçapão e matá-lo sem dó nem piedade, batendo com sua cabeça em algum lugar, arrancar as penas de seu rabo, ou destrinchá-lo e levar a uma frigideira. Por incrível que pareça, isto era levado na brincadeira, um divertimento.
O tempo vai passando, as coisas vão se evoluindo, inclusive nossos sentimentos de piedade passando a encarar de outra forma nossa convivência com os animais caseiros, domesticados.
Aqui em casa, certa vez, compramos galinhas vivas, levamos para o quintal e vários dias se passaram. Quando decidimos matar veio aquele arrependimento e, depois de mortas, eu não tiver coragem de comer.
Não é mole ver o caranguejo sendo "mergulhado" vivo na panela fervente ou, na feira aqui do Bairro São Francisco ver a galinha sendo colocada viva numa espécie de funil, onde é sacrificada com pena e tudo e a gente ouvir o cacarejar triste, doído...
Os cães, com sua fidelidade canina, amigo de todas as horas, capazes de sofrer castigo do dono e perdoar logo em seguida, como se nada tivesse acontecido, são exemplos de amor eterno.
O cão fala com os olhos, manifesta sua alegria abanando o rabo, saltitando ou até latindo de alegria. Às vezes o cachorrinho, com sede ou com fome, fica "assediando" o dono e aproximando do que quer, água ou comida, com aquele olhar de pidão.
E quando a gente se depara com animal de rua, abandonados? Parecem tristes, olhar piedoso, fixa a gente de outra maneira, quase "apelando", pedindo ajuda.
Os gatos não devem ser muito diferentes dos cães, não sei como comportam, pois não convivi com nenhum. Mas, no fundo, todos os animais em relação aos humanos são praticamente iguais, dada à condição de não poderem falar, de não poderem expressar sua vontade de forma clara e convincente.
Cabe a nós procurarmos entendê-los da melhor forma possível, e, evitar ao máximo maltratá-los, são inocentes e nunca atacá-los, mesmo brincando, pois a reação de defesa de um animal é imprevisível, eles não têm a capacidade de estudar nosso íntimo e nosso interior (o que pretendemos), nem por presunção ou instinto, embora seja o instinto a maneira peculiar de reação de um animal.
O certo é que ver um animal sofrendo, ao deus dará, jogado ao relento, faz doer o coração de quem nutre sentimento por eles, principalmente eu, que deparo com muitos deles todo dia.
O pior é que não podemos esperar muito pelo ser humano, egoísta, insensível, capaz de, se achar melhor, abandonar qualquer um à própria sorte, e, se precisar, matá-lo sem dó nem piedade.
É a vida!!!

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