quarta-feira, 7 de setembro de 2016

IMPEACHMENT PELA METADE

Assisti o desenrolar do impeachment, mas não imaginaria nunca um desfecho "surreal", "exótico", pois achava, na minha opinião, que, o que regulava este processo tão contestado, era a Constituição brasileira, não um "destaque", uma "pela ordem", uma "questão de ordem". Achava que os "pares" ali consagrados numa eleição majoritária estavam ali para defendê-la não para ultrajá-la.
Se a lei, conforme "reza" constituição, é igual para todos, por que a discriminação, por que tratar um mais igual do que os outros? 
Comparando com o impeachment de Collor, este de agora tem dois pesos e duas medidas.
Mas é assim que funciona, infelizmente, sob o manto de quem está no comando e no poder.
A impressão que este Senado passou para mim (quiçá para a opinião pública) é que a Constituição é um mero detalhe, pode ser modificada de acordo com as conveniências "pontuais" a qualquer hora e a qualquer momento não importando que, para fazer qualquer modificação substancial, deveria ser debatida e levada às duas casas, não com um casuísmo oportunista feito de encomenda para salvar a pele (não condenação) da ré, movido por interesses e acordos escusos e negociados (um conluio), com interesses do sub-mundo político que a gente nunca vai conseguir saber nem desvendar.
Como fatiar um dispositivo constitucional a seu bel prazer sem avalar suas consequências? E, assim, de repente, em menos de uma hora? Um dispositivo em que uma decisão de cassar está "colada" na decisão de condenar?
É lamentável,uma vergonha, ver autoridades rasgaram e fazerem daquele momento o pior que poderia acontecer em termos de decisão colegiada numa casa legislativa.
Impressão muito ruim, deixando a sensação de que nossa Constituição é uma colcha de retalhos e que pode ser modificada sem mais nem menos, e, quanto a ser respeitada... depende...
Este fatiamento, e consequente atentado à Constituição, foi um dos episódios mais deslavados da história da nossa República.
Lamentável, mesmo!!!

Nenhum comentário: