terça-feira, 9 de agosto de 2016

VENDEDOR DE ILUSÕES

É próprio de um governo populista convencer de que oposição odeia pobres

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Ao contrário dos outros partidos, que buscam convencer o eleitorado de que nasceram para governar em benefício de toda a sociedade, o Partido dos Trabalhadores afirma que veio para governar em benefício dos que são explorados e oprimidos pelos ricos.
A realidade mostrou que a coisa não é bem assim. De fato, os governos petistas, tanto o de Lula quanto o de Dilma, implementaram programas em benefício da parte mais carente da população. Ao mesmo tempo, aliaram-se a grande empresários com o propósito de usar recursos públicos para permanecer no poder.
Esse é um projeto fadado, cedo ou tarde, ao fracasso, uma vez que não investe nos setores fundamentais da economia e, sim, num projeto demagógico que termina por levar à carência do crescimento e à crise econômica, como ocorreu aqui no Brasil. É próprio desse tipo de governo populista convencer, sobretudo os setores carentes do eleitorado, de que toda a crítica que lhe fazem advém daqueles que odeiam os pobres e querem manter a desigualdade social.
Seria essa a razão das críticas aos governos petistas. Lula chegou ao ponto de afirmar que o mensalão nunca houve, foi uma invenção as imprensa. Disse isso muito embora José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares –altos dirigentes do PT– tenham sido julgados e condenados pelo Supremo Tribunal Federal.
Não por acaso o PT tornou-se conhecido como o partido da mentira, mesmo porque não encontra outro modo de escafeder-se das sucessivas acusações que lhe são feitas –não pela imprensa, que apenas as divulga–, mas pelos órgãos do Estado brasileiro, encarregados de apurar a corrupção e punir os corruptos.
Pode alguém, em sã consciência, acreditar que, da Polícia Federal à Procuradoria Geral da República, o Ministério Público e até mesmo o Supremo Tribunal Federal, enfim, todos os órgãos policiais e judiciais, todos, sem exceção, participem de um conluio para perseguir a Lula, Dilma e os petistas em geral? Pode alguém acreditar nisso?
Claro que não. Sucede que não é isso o que preocupa Lula e sua turma. Eles não pretendem convencer o povo brasileiro em geral: tudo o que dizem e fazem tem por objetivo o seu eleitorado, os aliciados pelo PT, pois sabem muito bem que, com suas mentiras, não convencem o povo em geral, mas convencem os que rezam por sua cartilha.
Por isso, não importa se você ou eu não acreditamos que o impeachment seja ou não um golpe: importa, isso sim, que seu eleitorado acredite no que dizem e continue votando no PT. Sim, porque, se ele muda de ideia e acredita na verdade, será o fim de Lula e seu partido.
E é com esse mesmo propósito que, para surpresa geral, Lula recorreu à Organização das Nações Unidas, alegando ser vítima de abuso de poder da parte do juiz Sérgio Moro. A rigor, o que significa semelhante recurso a um órgão internacional da importância da ONU?
Significa, implicitamente, afirmar que os órgãos responsáveis pela aplicação da Justiça, no Brasil, não têm isenção para aplicá-la. Consequentemente, para que Lula tenha seus direitos de cidadão respeitados, torna-se necessária a intervenção daquela entidade internacional. Ou seja, como no caso do mensalão e do petrolão, ele continua sendo acusado injustamente.
Trata-se, na verdade, de um disparate, mesmo porque a ONU só intervém em tais casos depois que são esgotados todos os recursos judiciais do país onde o problema ocorre. O que não é o caso de Lula, que nem réu ainda era quando impetrou o tal recurso.
A conclusão a que inevitavelmente temos de chegar é que Lula, sabendo da improcedência de tal recurso, usou-o para se fazer de vítima em vez de culpado, o que o obrigaria a explicar-se diante de seus eleitores. Em suma, não importa se é tudo uma farsa e que você e eu saibamos disso: importa é que os petistas acreditem nele e continuem a tê-lo como o defensor dos explorados. E do Marcelo Odebrecht também? *
(*) Ferreira Gullar – Folha de São Paulo

POR QUE O PT SILENCIA SOBRE ISSO?

Venezuela afunda na violência e em ruína que só tem paralelo na Síria

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Há algum país no mundo em que as pessoas sentem-se mais inseguras do que na Síria, em multifacetada guerra civil há cinco anos? Existe, sim. Fica na esquina norte do Brasil e chama-se Venezuela, como você já adivinhou.
Segundo o site InSight Crime, a porcentagem de sírios que se sentem seguros é de 32%; ao passo que na Venezuela a sensação de segurança é percebida por apenas 14%, pior índice dos países pesquisados.
Não é que os venezuelanos sejam paranoicos. Eles se sentem inseguros porque a violência escapou completamente do controle das autoridades. Já faz tempo que é assim, mas, em julho, atingiu-se um nefando recorde: ao correspondente caraquenho do Instituto Médico Legal chegaram, no mês passado, 535 cadáveres vítimas de crimes.
Dá, portanto, 17 cadáveres por dia, o que só confirma a capital venezuelana como a mais violenta do mundo. Para comparação: são 119 homicídios par­a cada 100 mil habitantes, quando em São Paulo, que não é exatamente uma Suíça em matéria de segurança, o índice é um décimo, aproximadamente, do registro de Caracas.

Venezuelanos vão à Roraima comprar alimentos


Aliás, no citado levantamento da InSight Crime, no que a publicação chama de Índice da Lei e da Ordem, o Brasil fica com 57 pontos em uma classificação que vai de 0 (péssimo) a 100 (ótimo). A Venezuela também é a última colocada, com 35.
Não é à toa, portanto, que os venezuelanos fujam em massa do país: segundo estudo do Centro de Pesquisas Pew, referência na área, 10.221 venezuelanospediram asilo nos Estados Unidos apenas entre outubro de 2015 e junho passado. É três vezes mais do que os 3.810 que fizeram idêntico pedido no mesmo período um ano antes.
É tal o desespero que os venezuelanos buscam não apenas o suposto paraíso americano, mas até países mais pobres, em teoria, do que a própria Venezuela.
O Equador, por exemplo, registrou em junho e julho 2.000 entradas de venezuelanos em fuga do inferno em seu país. Em geral, trata-se de descendentes de equatorianos que, nos anos de bonança na Venezuela, fugiram da pobreza no Equador. Agora que a bonança deu lugar a uma crise que só países em guerra chegam a conhecer, fazem o percurso inverso.
É um sinal claro (apenas mais um, aliás) que indica o redondo fracasso do chamado “socialismo do século 21″. Há outros sinais, talvez ainda mais dramáticos: a agência de notícias Reuters relata que crescente número de mulheres jovens recorre, a contragosto, à esterilização, para evitar as agruras da gravidez e da criação de filhos em um país em crise tão infernal.
Explica a agência: “Contraceptivos tradicionais, como preservativos e pílulas anticoncepcionais, praticamente desapareceram das prateleiras, empurrando as mulheres rumo à cirurgia de difícil reversão”.
Dá para censurar os governos de Argentina, Brasil e Paraguai, que se recusama passar a Presidência do Mercosul a essa ruína irremediável?
Espantoso é que a esquerda brasileira silencie ou, pior, defenda um modelo que é o mais redondo fracasso. Torna-se inexoravelmente sócia do fracasso. *
(*)  Clovis Rossi – Folha de São Paulo

PAÍS TROPICAL

O eterno Patropi

Com Temer tenso e Lula ausente, a abertura da Olimpíada lavou a alma
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A aflição continua, mas o Brasil está de alma lavada com a festa, o talento, o calor, a cor, a música e a alegria da abertura da Olimpíada do Rio, que teve a presença excessivamente sóbria e visivelmente desconfortável do presidente interino Michel Temer e a ausência sobejamente justificada e bastante constrangedora de um outro personagem: Luiz Inácio Lula da Silva.
Temer foi vaiado por alguns segundos. E daí? Nada mais natural para um presidente interino, em meio a um processo de impeachment. E nada mais natural no Brasil, no Rio e no Maracanã. Fosse Fernando Henrique, Lula, Dilma, Aécio, Marina, qualquer um, sempre haveria alguma vaia. Logo, ele não precisava ficar tão tenso, tão formal. Não sorriu nem mesmo quando a delegação brasileira explodiu em campo.
E a imagem de Lula pairava sobre o Maracanã. O Rio só foi escolhido para sediar a Olimpíada, naquele tão distante (em vários sentidos) 2009, porque o Brasil era o queridinho, a economia caminhava para o crescimento recorde de 7,5% no ano seguinte e Lula era um dos líderes mais badalados do mundo. Para sermos justos, se a Olimpíada caiu no nosso colo, isso se deve muito à força política de Lula naquele momento.
Não foi o destino quem quis, foi o próprio Lula quem se autoexcluiu da belíssima festa de abertura, sete anos depois, por escolher a mulher errada, na hora errada, para o cargo errado e, principalmente, por mergulhar de cabeça num mar de esquemas e desvios mais poluído do que a Baía de Guanabara.
Na mesma sexta-feira em que os sites do mundo inteiro elogiavam o espetáculo do Rio, os brasileiros divulgavam documento do Ministério Público concluindo que Lula “participou ativamente do esquema criminoso” e é improvável que não tenha, direta ou indiretamente, recebido alguma vantagem. O mundo acompanha os Jogos e os brasileiros estão com a respiração suspensa, sem saber se tudo vai dar certo, mas Lula está às voltas com advogados, incertezas e um medo atroz sobre o que vem por aí.
Assim como o almirante aposentado Othon Luiz Pinheiro poderia ter brilhado para sempre como o “pai do programa nuclear do Brasil”, Lula poderia ter se contentado em ostentar sua contundente biografia e em ser o presidente brasileiro mais popular da história e o mais prestigiado no mundo. Mas a alma humana tem seus segredos e o bolso às vezes fala mais alto.
O almirante não só é acusado de usar seu prestígio e sua expertise para corrupção, como tragou a própria filha para o esquema, continuou delinquindo mesmo preso em casa com uma tornozeleira eletrônica e acabou condenado a 43 anos de prisão em primeira instância. E o ex-presidente, que também levaria vaias residuais, claro, mas seria inegavelmente a mais esfuziante estrela da abertura da Olimpíada do Rio, nem pôde por os pés no Maracanã, trancado no seu exílio de suspeitas e processos, enquanto seu lobo Moro não vem.
Bem, com Temer e sem Lula, o fato é que o Brasil deu um show na abertura da 31.ª Olimpíada, mostrando a bilhões de telespectadores a construção de um povo miscigenado e uma diversidade cultural raros no mundo e brincando alegremente com um 14 Bis sobrevoando a Cidade Maravilhosa, a nossa Gisele Bündchen desfilando ao som de Garota de Ipanema, os veteranos Caetano e Gil ao lado da novata Anitta, Paulinho da Viola emocionando com o Hino Nacional, a coreografia de Deborah Colcker extasiando a plateia.
Mas o momento arrepiante, desses de lágrimas nos olhos, foi Jorge Ben Jor liderando milhares de pessoas entoando: “Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, mas que beleza!”. A gente tem milhões de motivos e de desempregados para praguejar contra a realidade e contra o País, mas a verdade é que o Brasil é muito mais do que só corrupção. Que, aliás, está sendo firmemente combatida.*
(*)  Eliene Cantanhêde – Estadão

ETERNOS CONCHAVOS

Álibis imperfeitos

É óbvio que Planalto e aliados trocaram renúncia de Cunha por adiamento da cassação
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Um dos maiores aliados do equívoco é o maniqueísmo. Aquele estado de coisas em que as nuances são ignoradas de modo a parecer que a alternativa ao claro só pode ser o escuro. O Brasil já pagou preço alto duas vezes por aderir a essa lógica. Na primeira elegeu Fernando Collor no pressuposto de que representava o novo, oposto ao então presidente José Sarney.
Para isso o eleitorado contou com a colaboração dos meios de comunicação que alimentaram o fetiche, a despeito das barbaridades cometidas por ele quando prefeito de Maceió e, depois, como governador de Alagoas. O falso dualismo deixou de fora da competição gente como Ulysses Guimarães, Mário Covas, Leonel Brizola, Roberto Freire e Fernando Gabeira, para citar apenas alguns dos 22 candidatos naquela eleição.
Na segunda vez, acompanhada de uma série de mais três a partir de 2002, o País caiu em conto do vigário semelhante ao anterior, motivado por igual fantasia maniqueísta. Trocamos a chance de dar o passo adiante na concepção da seriedade administrativa plantada no Brasil com o advento da estabilização da economia, pela ideia de que o PT levaria os pobres ao paraíso e relegaria os “podres” ao ostracismo.
O resultado dispensa comentário, embora nos obrigue ao exercício da reflexão sobre a maneira como funcionam a sociedade e as instituições brasileiras. Ao que tudo indica, o PT terá o que conquistou por demérito próprio e Dilma Rousseff será definitivamente afastada do mandato conquistado pela fraude da propaganda enganosa. A maioria concorda com isso.
Por mais improvável e indesejável que seja a volta de Dilma ao Planalto, até que a questão se resolva a possibilidade está no ar. De onde decorre uma evidente boa vontade em relação ao governo Michel Temer, por obra daquele referido contraponto. Condescendência que interdita o exercício da crítica. Enfraquece cobranças indispensáveis: por atitude mais firme no ajuste dos gastos públicos e transparência na antecipação de medidas que serão implementadas para assegurar a retomada da economia ao bom caminho. A alegada cautela necessária ao período de interregno é justificativa injustificável.
Tal tolerância anuvia também a visão do óbvio: o Planalto e suas áreas de influência fizeram um acordo com Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Em troca da renúncia à presidência da Câmara, as forças políticas aliadas a Temer atuariam para postergar a cassação do mandato e, assim, conceder a ele mais tempo na condição de investigado com foro privilegiado.
Isso não é admitido, mas fica cada vez mais explícito. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciara a votação do caso Cunha para a segunda semana deste mês. Pois bem, estamos no primeiro dia dela sem que tenha sido marcada a data. Amanhã está prevista a leitura do pedido de cassação em plenário. Etapa importante, mas meramente regimental.
Parlamentares governistas e ministros agora dizem que é “prudente” deixar isso para depois da votação do impeachment de Dilma Rousseff. Entramos aí, no mês de setembro durante o qual suas excelências estarão fora de Brasília por causa das eleições municipais de outubro, mês também perdido em termos de Parlamento.
A história de que todos temem o que Cunha teria a denunciar é apenas um álibi supostamente perfeito para justificar a postergação. Se as repudiadas mentiras do PT forem sucedidas pela aceitação de mentiras do PMDB ou de qualquer partido, o impedimento não terá valido a pena nem cumprido sua missão.*
(*)  Dora Kramer – Estadão

PRA QUEM ACREDITA EM PAPAI NOEL…

O papel de Lula

Os mais de 20 advogados de Lula terão de ter argumentos um pouco mais sólidos para defendê-lo
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Caberá à Justiça decidir se Lula da Silva é a “viva alma mais honesta do Brasil”, como o ex-presidente se jactou algumas vezes, ou se o chefão petista não só “tinha ciência do estratagema criminoso” na Petrobrás, como “dele se beneficiou”, como acusaram quatro procuradores da República que compõem a equipe da Operação Lava Jato, em um documento tornado público na sexta-feira passada.
Obviamente, uma das duas versões é completamente falsa, e será necessário aguardar a conclusão das investigações e do eventual julgamento para que o distinto público possa decidir em quem deve acreditar. No entanto, impressiona, nas 70 páginas do parecer do Ministério Público, a quantidade de informações que, se acompanhadas de prova, podem comprometer Lula, colocando-o na condição de beneficiário do assalto ao Estado realizado em seu governo e no de sua sucessora, Dilma Rousseff. A julgar pelo que lá vai, dificilmente Lula poderá alegar que nada sabia, como fez, candidamente, quando estourou o escândalo do mensalão, espécie de avant-première do monumental esquema que dilapidou a Petrobrás e outras estatais.
A manifestação do Ministério Público Federal se deu em razão de uma consulta da 13.ª Vara Federal de Curitiba, depois que a defesa de Lula alegou que aquele tribunal, onde atua o juiz Sérgio Moro, não teria competência para avaliar as acusações relacionadas ao caso do sítio em Atibaia e do apartamento no Guarujá. Como as propriedades estão em São Paulo, os advogados do ex-presidente entendem que o processo deveria ser julgado por um tribunal paulista.
Para o Ministério Público, não se pode falar de exceção de incompetência em relação a Moro a esta altura porque ainda não há nenhuma ação penal contra Lula, apenas investigações policiais. Mesmo assim, os procuradores entenderam que o caso deva ser encaminhado ao juiz paranaense, responsável pela Lava Jato, porque, em sua opinião, as acusações contra Lula dizem respeito a desdobramentos do petrolão. Trata-se, diz o Ministério Público, de “uma só organização, com o mesmo modus operandi, integrada pelos mesmos agentes, em contextos parcialmente diferentes, mas sempre com o mesmo fim: enriquecimento ilícito dos seus integrantes e manutenção do poder político”. Sendo assim, continua o parecer, “a investigação e o processo de cada infração devem correr perante os mesmos órgãos, que possuem a visão de todo o esquema criminoso”.
Segundo os procuradores, as provas recolhidas até aqui no âmbito da Lava Jato permitem entender as formas pelas quais os operadores do propinoduto da Petrobrás repassaram o dinheiro desviado para seus beneficiários. Entre esses mecanismos estão “a compra e reforma de imóveis pelas empreiteiras ou empresas intermediárias da lavagem de ativos, em benefício dos destinatários finais da propina” – justamente a suspeita que recai sobre Lula e os misteriosos imóveis sem dono em Atibaia e no Guarujá.
Outra forma de esquentar o dinheiro desviado da Petrobrás, dizem os procuradores, foi disfarçá-lo de doações eleitorais. Nesse caso, o parecer lembra que, “ainda em 2005, Lula admitiu ter conhecimento sobre a prática de caixa dois no financiamento de campanhas políticas”, ou seja, “Lula sabia que empresas realizavam doações eleitorais ‘por fora’ e que havia um ávido loteamento de cargos públicos”.
Ademais, os procuradores lembram que “a estrutura criminosa perdurou por, pelo menos, uma década” e que Lula ocupou nesse período “posição central em relação a entidades e indivíduos que diretamente se beneficiaram do esquema”. Dizem também que “não é crível que ele desconhecesse a existência dos ilícitos” e que muito provavelmente “foi beneficiado direta e indiretamente por repasses financeiros de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato”.
Por ora, a defesa de Lula preferiu recorrer a uma escalafobética denúncia à Comissão de Direitos Humanos da ONU e apelar à ironia, ao dizer que o caso do sítio em Atibaia não pode ser julgado pela Justiça paranaense porque “Atibaia não é Atobá, uma cidade do Paraná”. A julgar pela força da acusação do Ministério Público, porém, os mais de 20 advogados de Lula, mais cedo ou mais tarde, terão de ter argumentos um pouco mais sólidos para defendê-lo.*
(*)  EDITORIAL DO O ESTADO DE SÃO PAULO

LEGISLANDO EM CAUSA PRÓPRIA

COI anuncia que não irá tolerar cartazes políticos em arenas

Quem for pego será levado para fora das praças esportivas; decisão foi baseada em decreto de lei assinado por Dilma dois dias antes de afastamento
Os organizadores da Rio-2016 e o COI anunciam que não irão tolerar cartazes políticos por torcedores nos locais de disputas esportivas. Se uma pessoa insistir em levantar um placa, será “gentilmente retirado” do local. ”Queremos arenas limpas”, declarou Mario Andrada, diretor de Comunicações da Rio-2016.
Nos últimos dias, manifestantes conseguiram entrar nas arenas com cartazes com mensagens políticas. Ele, porém, indica que vaias e cantos com conteúdos políticos serão tolerados. “Se isso não fosse aceito, metade do Maracanã teria sido esvaziado”, declarou Andrada, numa alusão à vaia recebida pelo presidente em exercício Michel Temer na cerimônia de abertura dos Jogos.
A decisão é baseada numa interpretação do decreto de lei olímpica assinado por Dilma Rousseff em 10 de maio de 2016, dois dias antes de seu afastamento, conforme o Estadorevelou em sua edição de 30 de julho.
A lei prevê que o torcedor “não pode portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, de caráter racista ou xenófobo ou que estimulem outras formas de discriminação”.  Estabelece também que não se pode “utilizar bandeiras para outros fins que não o da manifestação festiva e amigável”.
O texto estabelece ainda que “é ressalvado o direito constitucional ao livre exercício de manifestação e à plena liberdade de expressão em defesa da dignidade da pessoa humana”.
Foto: Dida Sampaio/Estadão
ctv-xvj-cartaz-foratemer-olimpada-dida-sampaio-estadao“Queremos arenas limpas”, disse o diretor de Comunicações da Rio-2016
Durante a cerimônia, o COI omitiu Temer de todas as suas declarações e a imagem do brasileiro sequer foi mostrada nos telões do estádio. Nos dias seguintes de competição, pessoas com cartazes políticos, entre eles “Fora, Temer” foram abordados pelos seguranças. “O Brasil é uma democracia. Jovem, mas uma democracia. Mudamos de presidente pela regra. Mas os locais esportivos precisam estar limpos de manifestação politica. Isso afeta a visão, afeta as televisões. Aqueles que se manifestam são solicitados para que não façam isso. E se isso não for atendido, essas pessoas serão solicitadas a deixar os locais de provas”, explicou.
Se a Constituição garante o direito à livre expressão, o decreto presidencial que estabeleceu a lei olímpica de maio de 2016 estabelece regras claras que impedem que manifestações comerciais, religiosas ou politicas. “Esses locais são templos para entendimento e esporte. Precisamos estar focado nisso. Fora, todos estão livres, contanto que não sejam violentos”, explicou Andrada.
“Estamos explicando ao público que isso não será tolerado”, insistiu. Segundo ele, cartazes com nomes de clubes de futebol não seriam problemáticos. “Mas, como em todos os grandes eventos, temos a política de arenas limpas, desenhada a proteger as empresas que compraram os direitos. Mais importante que isso, porém, é a questão da união mundial. Queremos uma separação de questões políticas. Quebra o princípio dos Jogos.”
Andrada chegou ainda a apontar que só os brasileiros entendem o conteúdo dos cartazes. A Rio-2016 e o COI apontam que vão tentar evitar usar a força. “Vamos buscar soluções diplomáticas”, disse Andrada. “Utilizaremos do bom senso”, indicou Mark Adams, porta-voz do COI.
Militares
Se placas não são aceitas, o COI declarou que não vai colocar restrição aos atletas brasileiros que batam continência ao receber medalhas. “Vemos isso como um gesto de respeito à bandeira”, disse Adams. “Alguns colocam a mão no coração, outros batem continência.”
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(*) Jamil Chade, enviado ao Rio – O Estado de S.Paulo

A VIÚVA É RICA

A conta da Olimpíada ficará no Brasil
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Daqui até o fim dos jogos, centenas de jovens subirão nos pódios, baixarão a cabeça e receberão as medalhas de ouro da Olimpíada do Rio. Serão momentos de sonho, felicidade e alegria. Da alegria dos jovens que sorriam para o mundo durante o desfile dos atletas na festa da abertura. Nada reduzirá a beleza dessas cenas. Para os brasileiros, ficarão os momentos de sonho e a conta. Alguém ainda fará o cálculo da fatura dos custos diretos e indiretos transferidos à Viúva. Chutando para cima, poderá chegar a R$ 500 milhões.
O Maracanã, joia da privataria do governo do Rio e da Odebrecht, tornou-se um magnífico elefante branco, incomparável em noites de festa. A manutenção das instalações olímpicas custará R$ 59 milhões anuais num Estado cuja rede de saúde pública entrou em colapso. A máquina de marquetagem que prometeu Olimpíada sem dinheiro público voava nas asas dos jatinhos de Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, candidato ao pódio mundial. Era o tempo em que os governantes torravam o dinheiro achando que o pré-sal cobriria qualquer projeto.
Nos dias em que os problemas da Vila Olímpica dominaram o noticiário, foi frequente o argumento de que os críticos da festa carregavam o eterno “complexo de vira-lata”.
Criação de Nelson Rodrigues, ele refletia “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”. Bola dentro, mas às vezes a questão é mais complicada. Há cães de raça, mas há também adoráveis vira-latas.
A sorte, essa trapaceira, fez com que o repórter José Maria Tomazela mostrasse uma nova dimensão da problemática canina. Ele expôs a ação de uma quadrilha de Sorocaba (SP) que mutilava e pintava filhotes de vira-latas, transformando-os em chihuahuas e pinschers. Vendiam chihuahuas por R$ 300.
Viu-se assim outro ângulo da questão: há gente que vende chihuahuas e entrega vira-latas maquiados a pessoas que resolveram acreditar neles.
POTÊNCIA NUCLEAR
A condenação a 43 anos de prisão do almirante da reserva Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente da Eletronuclear, colocou a burocracia nacional no pódio das potencias atômicas. Não pela posse da bomba, mas porque em nenhum outro país aconteceu coisa igual.
Como se trata de um negócio parcialmente militarizado e sempre protegido pelo sigilo, o Brasil já torrou dezenas de bilhões de dólares com aventuras nucleares. Pela primeira vez, o contubérnio de autoridades com empreiteiras e fornecedores deu cadeia.
No século passado, um programa de cooperação com a Alemanha construiria oito usinas, mais uma de reprocessamento e outra de enriquecimento de urânio. Houve até burocrata prometendo que hoje o Brasil teria 41 usinas nucleares.
JOGO SUJO
Domingo passado, o desembargador gaúcho José Antonio Hirt Preiss esclareceu que o salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal não era de R$ 39,3 mil. Esse é valor estabelecido num projeto que “está aguardando no fim da fila”. O valor correto seria de R$ 33,7 mil.
Na quarta-feira (3), o projeto foi aprovado pela Comissão de Justiça do Senado. Antes de chegar ao plenário, o texto deve passar pela Comissão de Assunto Econômicos.
O senador Ricardo Ferraço, crítico da iniciativa, não gostou da pressa: “Estou estarrecido com essa manobra. Quando fui avisado de que votariam, foi o tempo de eu chegar lá, mas já tinham votado. É um escárnio aprovar isso. O efeito cascata chegará a R$ 3 bilhões”.
DILMA 3.0
Quem conviveu com Dilma Rousseff na cadeia assegura que ela demonstrou uma rara capacidade de adaptação à vida no cárcere.
Dentro de algumas semanas, Dilma passará por uma nova provação, devendo adaptar-se a uma vida na qual as portas não se abrem sozinhas e a geladeira precisa ser abastecida.
É muito provável que depois de passar um tempo em Porto Alegre ela siga para um período de descompressão no exterior. Se ela quiser conforto e não tiver juízo, pousará em Cuba.
FOGOS PETISTAS
As divergências entre Dilma e comissários petistas refletem a crise de um partido que está pronto para explodir.
Será fácil para os comissários jogar Dilma ao mar (como vão jogar), mas isso não resolverá as diferenças mais fundas. A charanga irá unida até a eleição municipal. Daí em diante, cada um seguirá sua vocação. A banda ideológica, imunizada em relação à Lava Jato, ralará. Enquanto a fisiológica já começou a se aninhar nos partidos que bicavam o mensalão e as petrorroubalheiras.*
(*)  Elio Gaspari – Folha de São Paulo
Fonte: http://www.contraovento.com.br/

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