segunda-feira, 8 de agosto de 2016

TRIBUNA NA INTERNET


Maracanã, joia da privataria do governo do Rio e da Odebrecht

A conta do sonho da Olimpíada ficará no Brasil, em custos diretos e indiretos


Elio Gaspari

Folha
Daqui até o fim dos jogos, centenas de jovens subirão nos pódios, baixarão a cabeça e receberão as medalhas de ouro das Olimpíadas do Rio. Serão momentos de sonho, felicidade e alegria. Da alegria dos jovens que sorriam para o mundo durante o desfile dos atletas na festa da abertura. Nada reduzirá a beleza dessas cenas. Para os brasileiros, ficarão os momentos de sonho e a conta. Alguém ainda fará o cálculo da fatura dos custos diretos e indiretos transferidos à Viúva. Chutando para cima, poderá chegar a R$ 500 milhões.
O Maracanã, joia da privataria do governo do Rio e da Odebrecht, tornou-se um magnífico elefante branco, incomparável em noites de festa. A manutenção das instalações olímpicas custará R$ 59 milhões anuais num estado cuja rede de saúde pública entrou em colapso. A máquina de marquetagem que prometeu Olimpíadas sem dinheiro público voava nas asas dos jatinhos de Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, candidato ao pódio mundial. Era o tempo em que os governantes torravam o dinheiro achando que o pré-sal cobriria qualquer projeto.
COMPLEXO DE VIRA-LATA – Nos dias em que os problemas da vila olímpica dominaram o noticiário foi frequente o argumento de que os críticos da festa carregavam o eterno “complexo de vira-lata”. Criação de Nelson Rodrigues, ele refletia “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”. Bola dentro, mas às vezes a questão é mais complicada. Há cães de raça, mas há também adoráveis vira-latas.
A sorte, essa trapaceira, fez com que o repórter José Maria Tomazela mostrasse uma nova dimensão da problemática canina. Ele expôs a ação de uma quadrilha de Sorocaba (SP) que mutilava e pintava filhotes de vira-latas, transformando-os em chihuahuas, e pinschers. Vendiam chihuahuas por R$ 300.
Viu-se assim outro ângulo da questão: há gente que vende chihahuas e entrega vira-latas maquiados a pessoas que resolveram acreditar neles.

Gilmar Mendes manda o TSE abrir processo para cassar o registro do PT

“Somado a isso, a conta de campanha da candidata (Dilma) também contabilizou expressiva entrada de valores depositados pelas empresas investigadas”, escreveu
Segundo o ministro, “há indicativos sérios de inconsistências nas despesas contabilizadas” pelo partido e pela campanha. “Aparentemente, o ciclo se completaria não somente com o efetivo financiamento das campanhas com dinheiro sujo, mas também com a conversão do capital em ativos aparentemente desvinculados de sua origem criminosa, podendo ser empregados, corno se lícitos fossem, em finalidades outras, até o momento não reveladas”, explicou Gilmar.
RELEVÂNCIA CRIMINAL – Segundo Gilmar, há “suspeita de relevância criminal das condutas”. Para ele, “doar recursos – supostamente vantagens ilícitas para a prática de crimes contra a administração pública – ao partido ou à campanha, ou entregá-los sem contabilidade a representantes do partido são indicativos do crime de lavagem de dinheiro”. Ele também explicou que “a omissão de recursos na contabilidade da campanha indica crime de falsidade ideológica eleitoral”.
Em agosto de 2015, Gilmar reportou os indícios de irregularidade supostamente cometidos pelo PT ao então corregedor da Justiça Eleitoral, ministro João Otávio de Noronha – que, por sua vez, enviou ofício ao então presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, pedindo providências. Entre as medidas previstas em lei, está a “abertura de investigação para apuração de qualquer ato que viole as prescrições legais ou estatutárias a que, em matéria financeira, os partidos e seus filiados estejam sujeitos”.
PROCESSO – No último dia 2, o secretário-geral do TSE, Luciano Fuck, enviou ofício a Gilmar lembrando que a gestão anterior do TSE não tomou essa providência. Ao saber disso, Gilmar determinou de imediato a instauração do processo.
No ofício enviado à Corregedoria no ano passado, Gilmar afirmou que os indícios de que o PT foi financiado pela Petrobras foram obtidos a partir do cruzamento das informações contidas no processo de prestação de contas da presidente Dilma, em notícias veiculadas na imprensa e também em documentos da Lava-Jato.
Ainda no ofício do ano passado, Gilmar cita doações recebidas pelo PT em 2014 por sete empresas investigadas na Lava-Jato: UTC, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, OAS, Construtora Odebrecht, Odebrecht Óleo e Gás e Engevix. Juntas, as empresas teriam doado R$ 263,8 milhões naquele ano. Parte dos recursos teriam sido repassados à campanha de Dilma. Além desse valor, as mesmas empresas teriam repassado R$ 47,5 milhões diretamente à campanha da presidente.
R$ 171,9 MILHÕES – Entre 2010 e 2014, o PT teria recebido R$ 171,9 milhões das mesmas empresas, segundo informações de técnicos do TSE. Gilmar também cita doações não contabilizadas e outros repasses realizados com o pretexto de custear serviços de publicidade, de acordo com as investigações da Lava-Jato. O ministro afirma ainda que Dilma “despendeu grandes valores em contratos com fornecedores com incerta capacidade de cumprir ou entregar os respectivos objetivos”.
O ministro ressalta a empresa Focal Confecção e Comunicação Visual. A candidata informou ter pago R$ 24 milhões por prestação de serviços, o segundo maior contrato da campanha. Reportagem do jornal “Folha de São Paulo” revelou que um dos sócios era um motorista contratado pela própria empresa.
A direção nacional do PT informou, em nota por intermédio de sua assessoria de imprensa, que não há razão para se tentar cassar o registro da legenda. “O PT não tem conhecimento de nenhum pedido de cassação de seu registro e não vê motivos para a adoção desta medida, pois todas as suas operações financeiras são feitas dentro da legalidade”, diz o partido.

Eu lhe prometo o sol, se hoje o sol sair, ou a chuva…


Renato Rocha e Geraldo Azevedo, unidos pelo talento
O violonista, cantor e compositor pernambucano Geraldo Azevedo de Amorim e seu parceiro Renato Rocha, na letra de “Dia Branco”, expõem a promessa e a expectativa do amor acarretar desejo, cumplicidade e eternidade. Neste sentido, o título “Dia Branco” é uma proposta de vivência nessa relação amorosa. Esta música foi gravada por Geraldo Azevedo, em 1981, no LP Inclinações Musicais, pela Ariola.
DIA BRANCO
Renato Rocha e Geraldo Azevedo
Se você vier
Pro que der e vier
Comigo…
Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva…
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar…
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor
Oh! oh! oh…
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
Se você vier
Pro que der e vier
Comigo…
Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva…
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar…
E nesse dia branco
Se branco ele for
Esse canto
Esse tão grande amor
Grande amor…
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
Comigo, comigo.
                   (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Show de abertura da Olimpíada do Rio, o maior espetáculo da Terra


Olimpíada já valeu só pela abertura, um show extradordinário
Pedro do Coutto
O título é inspirado no filme famoso de Cecil B. de MIlle, início da década de 50, mas acredito que seja a melhor expressão para definir e destacar a abertura da Olimpíada do Rio de Janeiro que reúne 10.000 atletas de 207 países em busca de superar, dentro do espírito atlético, os limites humanos que se sucedem no tempo. O espetáculo do Maracanã, elogiado pelos principais jornais do mundo, foi refletido com uma intensidade belíssima pela edição de O Globo de sábado. A Olimpíada do Rio de Janeiro ficará na história esportiva universal como um momento quase insuperável de beleza estética, cor, luzes, de efeitos visuais que encantaram, pelo que se calcula, praticamente 2/3 da população do planeta. Foram 4 horas de encantamento e de voo na imaginação projetando na fantasia a trajetória de um país e de sua história através dos séculos.
Não deve ser esquecida a atuação do prefeito Eduardo Paes, já que foram exaltadas as contribuições de técnica e arte, entre outros de Fernando Meireles, Abel Gomes e Débora Colker. Foram vencedores de uma fantasia deslumbrante, superando até em criatividade os grandes momentos de magia consagrados por Hollywood no século XX.
Mas deixando a fantasia e ingressando no campo da realidade vamos encontrar novamente colocado o desafio que marca o confronto dos atletas e das atletas dando sequência a mais um capítulo da história eterna das competições. Elas estão começando. E vão ocorrer como sempre representadas por todos os povos, raças, etnias de um mundo chamado Terra habitado por 7 bilhões e 200 milhões de seres humanos.
AUDIÊNCIA MUNDIAL – Espera-se que cerca de 3 bilhões e 800 milhões tenham acompanhado o desfile apoteótico da abertura dos jogos pela TV. E agora estão atentos acompanhando as provas a cada dia. Limites humanos estarão novamente colocados como desafios nos caminhos atléticos. Afinal onde eles se encontram? Não se sabe.
Já se disse tempos atrás, por exemplo, que era impossível um atleta correr 100m rasos em menos de 10 segundos. Jesse Owens em 1936, Usain Bolt em 2012 provaram o contrário: Jesse Owens correu em 9 segundos e 8 décimos. Bolt correu  em 9 segundos 5 décimos e 8 centésimos. Este é apenas um exemplo, destacando a excepcionalidade que envolve as marcas olímpicas, num espaço de 80 anos. Na natação, enquanto em 36 nadava-se os 100m em 59 segundos, hoje nada-se em cerca de 45 segundos. Dois limites humanos superados pelas competições. O segundo deles mais amplo do que o resultado do primeiro. Mas estes são apenas dois exemplos.
APEFEIÇOAMENTO – A realidade hoje continua desafiadora, as técnicas evoluíram, as táticas também, os treinamentos se aperfeiçoaram e continuam se aperfeiçoando a cada 24 horas. O ser humano, homens e mulheres caminham firme em busca de avanços e ultrapassando limites como se fossem barreiras de uma corrida de distância curta. Mas existem as distâncias longas também.
Estas deslocam-se para o plano de toda a humanidade. A meta de finalmente enfrentar os desafios da fome, habitação, saneamento, segurança, saúde, enfim, colocados à frente de todos nós como limites não da vida atlética, mas da existência humana na face da Terra, que assistiu, encantada a beleza e a criatividade de horas de arte e fantasia. A superação, assim, não deve ficar restrita à fantasia e ao esforço dos atletas olímpicos. Mas, sim, destacada como um recorde a ser quebrado pelos governos atuais e do futuro que viajam na história e a ela acrescentando capítulos e mais capítulos.
Esta, acredito, é a melhor forma de colocar um objetivo comum à sobrevivência do mundo eternizando-o em bases cada vez progressivamente mais justas, dignas, cristãs.

Temer escapou da delação de Machado, mas escapará de Marcelo Odebrecht?

Resultado de imagem para Temer corrupto
Temer afirma que não houve caixa dois e a doação foi legal
Carlos Newton
Sabe-se que não existem “santos” na atividade política à brasileira, na qual as raras exceções apenas confirmam a regra geral de favorecimentos, ilegalidades e posturas fora da ética. Mas até agora Michel Temer estava conseguindo se desviar das múltiplas denúncias da operação Lava Jato, embora as acusações oriundas de delações premiadas já tenham atingido grandes caciques ligados ao atual presidente da República. Houve algumas citações diretas a ele, mas nada restou provado.
DENÚNCIA VAZIA – Recentemente, Temer foi denunciado pelo controvertido ex-amigo Sérgio Machado, que transformou a Transpetro num balcão de negócios escusos e propinas. Não houve maiores consequências, porque nos depoimentos iniciais Machado se limitou a dizer que Temer lhe pedira “doações oficiais” para a campanha de Gabriel Chalita em São Paulo, e realmente houve o patrocínio, mas no caixa 1, registrado na Justiça Eleitoral, tudo legalizado, não existiu nem sinal de crime.
O episódio até serviu para evidenciar a estratégia de Machado. Para reforçar suas denúncias e conquistar o mais generoso acordo de delação na Lava Jato, fechado diretamente com o procurador-geral Rodrigo Janot e o ministro-relator Teori Zavascki, o ex-presidente da Transpetro denunciou muitas doações oficiais como se fosse propinas.
Foi assim que ele conseguiu enganar Janot e Zavascki, para sair impune junto com os dois filhos e até preservar o enriquecimento ilícito da família, devolvendo apenas R$ 75 milhões, em parcelas mensais, embora somente na Inglaterra a famiglia Machado tenha investido R$ 90 milhões, segundo o jornal londrino “The Guardian”.
NOVA ACUSAÇÃO – Mas eis que surge o repórter Daniel Pereira, da Veja, que teve acesso ao depoimento de Marcelo Odebrecht nesta semana, que incluiu o relato sobre um jantar ocorrido em maio de 2014 no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente, com a presença do próprio Michel Temer, do então deputado Eliseu Padilha, atual ministro-chefe da Casa Civil, e do empreiteiro Marcelo Odebrecht.
Segundo o depoimento, Temer pediu “apoio financeiro” à campanha do PMDB, e o empresário prometeu colaborar. Até aí, tudo certo, não há ilegalidade. Mas acontece que Marcelo Odebrecht teria revelado que o patrocínio ocorreu em dinheiro vivo, entre agosto e setembro de 2014. segundo a reportagem da Veja.
Juridicamente, é muito difícil provar pagamentos e recebimentos em dinheiro vivo, mas o repasse dos 10 milhões de reais estaria registrado na contabilidade do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, também conhecido como “Departamento da Propina”.
DESMENTIDOS – Temer e Padilha já confirmaram o encontro, mas ressalvaram que a doação foi oficial, consignada na contabilidade do PMDB. Segundo o TSE, a Odebrecht repassou 11,3 milhões de reais à direção nacional peemedebista em 2014. Seria a mesma doação?
Não será difícil descobrir a verdade, porque a força-tarefa da Lava Jato aprendeu os computadores e os documentos contabilizados no “caixa paralelo” da Odebrecht. Se houver provas materiais, será um escândalo de grandes proporções.
O fato é que a gravíssima acusação está no ar. Se for comprovada, a política sofrerá nova grande mudança, mas precisam ser obedecidas as normas democráticas, claro, porque é para isso que existe a Constituição.
O processo de cassação da chapa Dilma/Temer no TSE poderá até ser apressado, mas não há tempo hábil para decisão ainda este ano, com eleição direta para mandato-tampão. Assim, se a cassação ocorrer em 2017, a escolha do novo presidente seria em eleição indireta no Congresso. Mas, por enquanto, tudo são conjecturas e Temer é inocente até prova em contrário.

Um presidente apagado e quase mudo, na festa da Rio 2016


Para evitar maiores vaias,Temer fez uma aparição meteórica
Carlos Chagas
Nitidamente constrangido pelas vaias que recebeu, antes mesmo delas terem começado, Michel Temer demonstrou na abertura das Olimpíadas, sexta-feira, faltarem-lhe condições para enfrentar uma crise de verdade. Não terá dificuldades se no palácio do Planalto continuar  recebendo a rejeição de parte da população, frente ao aumento do desemprego, quem sabe  o mau funcionamento dos serviços públicos e a falência da educação e da saúde públicas. Para esses desafios, fechado em seu gabinete, ele está preparado.
O diabo é se um inusitado qualquer ressuscitar explosões populares generalizadas, se um de nossos vizinhos entender avançar sobre o território nacional ou se nossas forças de segurança negarem-se a sair dos quartéis diante de rebeliões profundas.   São apenas três exemplos, entre muitos, de verdadeiras crises. Disporá o presidente interino de coragem e força para agir segundo necessidades imprevistas?
Pode ser que não. Nesse caso, o país ficará desamparado, órfão, solto no espaço sem encontrar quem o represente e  defenda.  Porque o presidente interino em vias de  tornar-se definitivo parece em condições de cumprir tarefas rotineiras, mas não desafios extemporâneos. Diante da multidão hostil, que aliás não significava qualquer surpresa para ele, encolheu-se. Aceitou a sugestão de não ser anunciado nos microfones por algum locutor entusiasmado. Pediu que as câmeras de televisão não o focalizassem. Declinou de endereçar à multidão ordeira uma mensagem que fosse de confiança e elogio à festa tão bem organizada. Cedeu o lugar que teria de ser dele a Carlos Arthur Nuzman e a um alemão poliglota e desinibido.
A gente fica pensando como se comportariam Juscelino Kubitschek e qualquer outro de seus sucessores. Os 50 mil participantes estavam ali para  uma comemoração festiva. Claro que demonstraram, mas até educadamente, sua contrariedade frente a um governante que não elegeram. Mas foram apupos singelos, sem criar qualquer clima de beligerância. Por que não enfrentá-los? Ou aproveitar a oportunidade para mostrar-se, aceitando a reação popular e dirigindo palavras de ânimo e compreensão? Talvez melhorasse sua imagem. Mostrar-se acuado e quase mudo,  porém, foi sua pior decisão. Até porque, as Olimpíadas já estavam abertas antes de uma declaração meteórica e claudicante.

Acabou a moleza de se eleger com poucos votos, por conta do “puxador”


Enéas elegeu um candidato que teve apenas 265 votos
Carolina Linhares e Paula ReverbelFolha
Os aspirantes a vereador que pegam carona com os candidatos “puxadores de voto” terão, pela primeira vez, uma meta a cumprir: para chegar à Câmara municipal, seu resultado nas urnas precisa ser, no mínimo, 10% do quociente eleitoral. O quociente é formado pelo total de votos válidos dividido pela quantidade de cadeiras na Câmara. Em 2012, o quociente em São Paulo foi 103.843 –a nota de corte, portanto, teria sido 10.384 votos.
A nova regra visa evitar a eleição de candidatos pouco votados. Caso o candidato não alcance o mínimo, a vaga será redistribuída a outros partidos ou coligações. “Isso é inconstitucional, é cláusula de barreira disfarçada”, diz Aildo Ferreira, presidente do PRB em São Paulo. A Rede, outro partido que pode ser afetado, vê a medida como uma manobra para manter o poder com as siglas tradicionais.
NOVAS REGRAS – As eleições terão campanha mais curta e sem doações de empresas, favorecendo candidatos ricos ou famosos. Se a lei valesse em 2012, o único dos 55 vereadores paulistanos a perder sua vaga seria Toninho Vespoli (PSOL), que teve 8.722 votos.
O vereador, que se elegeu com os 117.475 votos do PSOL (41.248 à legenda e 76.227 a candidatos), diz concordar com a regra, mas considera o percentual elevado. “É uma distorção eleger candidatos com poucos votos, mas também é uma distorção as pessoas votarem em um partido porque acreditam naquela linha e o partido não eleger ninguém”, diz.
Para o vereador Claudinho de Souza (PSDB), a regra garante “um mínimo de representatividade”, opinião partilhada pelo vereador George Hato (PMDB).
OUTRAS RESTRIÇÕES – Algumas siglas se opõem a outras restrições da nova legislação eleitoral, como o veto a doações de empresas e a redução da campanha, que passou de 90 para 45 dias. “Todos os partidos devem estar sofrendo. Vai ser uma campanha muito humilde”, resume Aildo Ferreira.
“Essa eleição será única, dificilmente essas regras se repetirão para as próximas”, diz o vereador Paulo Fiorilo (PT). Já o vereador Hato aposta no contrário: “Estamos sendo cobaias para 2018”.
Rede e PSOL, que já defendiam o fim de doações de empresas, comemoraram. “Talvez tenha sido o único fato positivo”, diz Vespoli.
As novas regras são apontadas como motivo da queda do número de candidatos a vereador, que deve ficar próximo de 700 em São Paulo, contra mais de 1.200 em 2012.
“Os partidos financiavam candidatos menores, faziam material. Com menos recursos, as pessoas evitam aventuras”, diz Antônio Donato (PT), presidente da Câmara.
PELA TELEVISÃO – Com menos tempo para percorrer a cidade, a campanha dos vereadores terá que aproveitar o espaço na TV, que também encurtou e os candidatos a vereador terão reservados 40% dos 70 minutos de inserções de propagandas.
No PRB, DEM e PMDB, os candidatos mais conhecidos devem ter preferência. Já a Rede vai dividir o tempo igualmente. O nanico PHS terá somente dirigentes pedindo voto na legenda, segundo o vereador Laércio Benko.
PSOL, PSDB e PT ainda não definiram estratégia. Entre os candidatos petistas, o destaque é o ex-senador Eduardo Suplicy. “Nós sabemos da importância do Suplicy, como sabemos da importância de outros parlamentares que já estão no PT há muito tempo”, afirmou Fiorilo ao ser questionado sobre a distribuição do tempo de TV entre os candidatos a vereador.
###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A nova regra foi criada por causa do chamado “Efeito Enéas”. Na eleição de 2002, o candidato Enéas Carneiro, do Prona, teve 1,57 milhão de votos e garantiu outras seis vagas ao partido, que tinha somente mais cinco candidatos. Com isso, o médico Vanderlei Assis de Souza acabou se tornando deputado federal com apenas 275 votos.(C.N.)
Fonte: www.tribunadainternet.com.br

Nenhum comentário: