segunda-feira, 22 de agosto de 2016

TRIBUNA NA INTERNET

Delação da OAS agora dirige jato da corrupção para Toffoli, ministro do Supremo

Charge do Aroeira, reprodução do Portal O Dia
Pedro do Coutto
Reportagem de Robson Bonin, Thiago Bronzatto e Rodrigo Rangel, revista Veja que circulou sábado e está nas bancas, revela que o ex-presidente da OAS, José Aldemario Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, um dos personagens centrais do mar de corrupção na Petrobrás, em um dos pontos de sua delação premiada afirmou que a empresa supervisionou obras na casa que o ministro Dias Toffoli possui em Brasília, sob a forma de cortesia para um dos integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Os repórteres tiveram acesso a este trecho da proposta de delação premiada, que politicamente dirige o foco das investigações para um dos titulares da Corte Suprema. O jato molha a imagem do ministro, porque, pelo cargo que ocupa, não deveria aceitar o que podemos chamar de gentileza surpreendente.
Surpreendente, porque Leo Pinheiro e Dias Toffoli, segundo a reportagem, até então não eram amigos, tampouco tinham intimidade de um para outro. Mas foi no encontro que tiveram em Brasília que Dias Toffoli teria revelado que estava enfrentando problemas de infiltração em sua casa e na estrutura de alvenaria. Pronto. Leo Pinheiro um homem simpático e agradável, imediatamente assumiu o encargo de resolver o problema que afligia o ministro Dias Toffoli.
O ministro Toffoli ficou com sua imagem atingida fortemente. Em primeiro lugar, porque autoridades não devem aceitar favores de estranhos, sobretudo pessoas envolvidas em negócios públicos. Segundo, porque nenhum ministro da Corte Suprema encontra-se em condições éticas de aceitar surpreendentes favores. Quais as razões tanto para quem propõe quanto para quem as aceita?
DÚVIDA CRUEL – Uma nuvem de comprometimento envolve o resultado do encontro que tiveram. Agora, Dias Toffoli terá que responder as questões que todos os leitores estão fazendo interiormente. Mas a questão não é apenas esta.
Dias Toffoli, seja qual for a versão que apresentar, não conseguirá desfocar a lente da dúvida em relação ao episódio. Afinal de contas, sabendo que dialogava com um presidente de uma empreiteira que fazia obras públicas, por qual motivo achou que deveria narrar os problemas relativos ao imóvel em que reside. No mínimo, a atitude foi inoportuna.
Na sequência, Leo Pinheiro indicou uma empresa especializada nesse tipo de obra. Terminada a tarefa, engenheiros da OAS realizaram uma vistoria. O encontro entre Leo Pinheiro e Dias Toffoli ocorreu em novembro de 2014, pouco antes de empreiteiro ter sua prisão decretada.
O reflexo mais forte do episódio foi o de incluir o STF no processo ético da operação Lava-Jato. Como procederá a Corte Suprema, com um de seus integrantes suspeito de aceitar favores sem motivo algum? E como procederá o ministro Dias Toffoli no sentido de evitar que matéria repercuta no tribunal,  função de julgador final e definitivo de acusados? E mesmo se os favores prestados pelo ex-presidente da OAS possuíssem algum motivo lógico, a obrigação de Dias Toffoli seria rejeitá-los.
Um ministro do Supremo Tribunal Federal não pode receber favores pessoais. Principalmente aqueles que surgem das águas da surpresa no meio da tempestade. Assim é escrito mais um capítulo da história atual do Brasil.

Tudo em família: Tofolli, a mulher e a ex-amante estão com problemas na Justiça

Casal 20 da Justiça – Toffoli, ministro, e Roberta, procuradora
Carlos Newton
A situação do ministro Dias Toffoli é cada vez mais complicada. De repente, parece que o mundo está desabando. Além das denúncias de seu envolvimento com o notório empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, existe mais um problema. A mulher do ministro, Roberta Rangel, que era procuradora da Câmara Legislativa de Brasília e se casou recentemente com Toffoli, com quem trabalhara num escritório de advocacia, foi denunciada pelo Ministério Público do Distrito Federal e está respondendo a inquérito.
Junto com o deputado distrital Alírio Neto, do PEN, o advogado Ibaneis Rocha Júnior, presidente da OAB-DF, e outras três pessoas, Roberta Rangel é acusada pelo pagamento irregular de indenizações a funcionários da Câmara Legislativa. Eles são acusados de facilitar a liberação do dinheiro de “forma notoriamente equivocada”, afirmam os promotores.
Na denúncia, o Ministério Público do Distrito Federal cobra dos envolvidos a devolução de R$ 25 milhões aos cofres públicos, em ação protocolada na 5ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal no final de junho.
ENTENDA O CASO – Após 1994, funcionários, aposenhtados e pensionistas da Câmara entraram com ações judiciais para exigir revisão salarial. Até o início de 2008, a Câmara indenizava somente quem conquistasse esse direito na Justiça. Porém, o deputado Alírio Neto, durante sua gestão na presidência da Mesa Diretora, pediu a assessores jurídicos um novo estudo.
A tarefa coube a Roberta Rangel, então procuradora da Câmara. Ela fez um parecer que permitiu o pagamento a todos servidores, desconsiderando a argumentação jurídica adotada por procuradores anteriores. Até funcionários que sequer trabalhavam na Câmara na época do Plano Real receberam parte da indenização. De acordo com a acusação, a solução administrativa foi feita de forma atropelada e desconsiderou até mesmo o prazo de prescrição da dívida, que reduziria o valor bancado pelos contribuintes.
O principal beneficiado foi o advogado Ibaneis Rocha Júnior, que defendia os interesses da associação dos servidores e recebeu R$ 3 milhões. Ele atualmente preside a regional da OAB de Brasília.
Christiane conseguiu se ligar a Carvalho e a Toffoli
O CASO DA AMANTE – Além do problema doméstico, Toffoli enfrenta acusações anteriores, feitas por uma ex-amante, a também advogada Christiane Araújo, envolvida em corrupção desde 2007, quando aceitou convite de Durval Barbosa (delegado aposentado) para trabalhar no governo do Distrito Federal. Pouco depois, Durval Barbosa ficaria famoso, ao dar publicidade às gravações de recebimento de propina que levaram à cadeia o governador José Roberto Arruda.
Sob as ordens de Durval, a bela Christiane se transformaria num instrumento de tráfico de influência. Em dois depoimentos no final de 2010, em oito horas de gravações, Christiane revelou que mantinha relações íntimas com políticos e figuras-chave da República. Ela contou ter se aproximado do então ministro Gilberto Carvalho e chegou até a fazer parte da equipe de transição de Dilma, em 2010.
A atraente advogada relatou como se aproveitava dos amigos e amantes influentes para obter favores em benefício da quadrilha chefiada por Durval, que desviou mais de 1 bilhão de reais dos cofres públicos. Ela também contou como o governo de Lula usou sua proximidade com essa máfia para conseguir material que incriminaria adversários políticos.
ENCONTROS COM TOFFOLI – Segundo a  revista Veja, entre os amigos íntimos de Christiane está o hoje ministro Dias Toffoli. Quando ocupava o cargo de advogado-geral da União, no governo Lula, ele mantinha encontros com a advogada num apartamento de Durval Barbosa.
Christiane revelou ter entregado a Toffoli gravações do acervo de Barbosa, para demonstrar ao governo do PT sua capacidade de deflagrar um escândalo capaz de demolir a oposição em Brasília nas eleições de 2010. Ela declarou ter voado num jatinho oficial do governo, a convite de Toffoli. Diz a Veja que a advogada também foi assessora do ex-deputado federal João Caldas (PSDB-AL), e os dois estão respondendo a vários processos penais e cíveis.
Na época, Toffoli negou todas as acusações: “Nunca recebi da Dra. Christiane Araújo fitas gravadas relativas ao escândalo ocorrido no governo do Distrito Federal.” O ministro disse ainda que jamais frequentou o apartamento citado por ela ou solicitou avião oficial para servi-la. Como chefe da AGU, só a teria recebido uma única vez em seu gabinete, em audiência formal. Mas não explicou por que recebeu uma advogada que não representava ninguém.
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PS – O fato concreto é que Toffoli está todo enrolado. Não se julgou suspeito ao mandar libertar o amigo pessoal Paulo Bernardo. Igualmente, não se declarou suspeito ao julgar os empreiteiros Léo Pinheiro (OAS), também seu amigo pessoal,  e Ricardo Pessoa (UTC), de quem foi advogado no processo 008.575/2005-6, no Tribunal de Contas da União, tendo inclusive feito sustentação oral. Bem, agora ou Toffoli parte para a briga e processa a revista Veja, ou ficará completamente desmoralizado, se é que já não está(C.N.)
Charge do Tacho, reprodução do Jornal NH
Carlos Chagas
Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra são candidatos à presidência da República, mas só um deles pelo PSDB. Os dois que sobrarem buscarão outros partidos. A disputa, por enquanto, restringe-se ao âmbito da legenda. Aécio tem a vantagem de ter sido candidato nas últimas eleições, mas tanto Alckmin quanto Serra também já foram igualmente derrotados.
Buscar um quarto pretendente não dá, dispostos os três a contar quantos tucanos poderão apoiá-los. Um entra com a maioria da bancada no Congresso, outro com a potência do governo de São Paulo e o terceiro com o governo federal. As primeiras escaramuças já se fazem sentir entre eles.
No PMDB, apesar das negativas, Michel Temer continua parte na equação. Em dois anos, tudo pode acontecer, até o presidente adquirir popularidade. Como tudo dependerá de Henrique Meirelles acertar com a política econômica, eis outra alternativa. Por enquanto, o maior partido nacional parece vazio de candidatos, apesar de  Roberto Requião imaginar que sua vez chegará.
Ciro Gomes entrou no PDT confiando em que será lançado. Diverge dos acima referidos por já possuir um plano de governo
Fala-se de outras hipóteses, embora por enquanto menos promissoras, como Ronaldo Caiado e Jair Bolsonaro, empenhados em exprimir uma banda ideológica singular. Alvaro Dias mudou de partido para poder apresentar-se.
Faltou um ser citado, que apesar dos percalços sofridos nos últimos meses, pode ocupar a pole position: o Lula está sendo bombardeado precisamente por isso.
Fonte: http://www.tribunadainternet.com.br/

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