quinta-feira, 18 de agosto de 2016

TRIBUNA NA INTERNET

Mais revelações sobre personalidades da política e da cultura brasileira

Brizola e Jango, na morte de Getúlio
Marcelo Câmara
João Goulart – Jango contou para Darcy Ribeiro e este me fez esta histórica e inédita revelação. João Goulart, Ministro do Trabalho de Getúlio, participou da tensa e fatídica reunião do Ministério no Palácio do Catete, na noite de 23 de agosto de 1954. Na saída, o Presidente lhe entregou um envelope fechado, pedindo ao seu herdeiro político predileto: “Abra somente amanhã quando acordar”. Jango, gaúcho, bom bebedor, tomou uns tragos para relaxar e foi dormir. Despertou com o alvoroço nas ruas, gritos. Ligou o rádio e ouviu a notícia do suicídio de Vargas. Lembrou-se do envelope, abriu-o e leu. Era uma via do rascunho manuscrito da Carta Testamento, assinada pelo Presidente, com todo o conteúdo que se conhece.
Jango, estupefacto, atordoou-se. Tomou um banho gelado e rumou para o Catete, onde se deparou com toda a tragédia. A forma final da Carta Testamento foi feita pelo assessor de Getúlio, José Soares Maciel Filho, segundo um sobrinho deste, Queiroz Campos, me confidenciou.
Arthur Moreira Lima – O pianista carioca foi o brasileiro mais aplaudido da História. Durante cinco minutos ininterruptamente, Arthur foi ovacionado por uma platéia de pé, em delírio, após ouvir o brasileiro, então com vinte e quatro anos, na final do Concurso Internacional de Piano Fryderyk Chopin, em 1965, em Varsóvia.
Quem me informou a proeza foi um diplomata polonês presente ao evento. Apesar da consagração da platéia, ficou em segundo lugar, atrás da vencedora, a argentina Martha Argerich. O segundo brasileiro mais aplaudido em todos os tempos foi o engenheiro e físico José Walter Bautista Vidal (1934-2013), pioneiro das políticas de Energias Alternativas no Brasil, quando foi aplaudido, igualmente de pé, por cerca de três minutos num Congresso Internacional de Energia, em Washington, EUA.
Tom Jobim – A decadência da Música Popular Brasileira vem de longe. Após a Bossa Nova e o Tropicalismo, com raras exceções, nada aconteceu. O consagrado advogado e pianista Jorge Béja me relatou a visita que fez à residência de Jobim em meados da década de 1980. Béja perguntou a Tom: “E essas músicas que estão fazendo sucesso hoje em dia, você gosta?” Tom respondeu: “Isso não é música. É barulho. É a aporrinhola.”
Amigos comuns, meus e de Tom, me contaram outra, entre tantas, do conhecido humor de Tom, que, por diversas vezes, foi visto bebendo chope nos pontos cariocas onde era sempre encontrado, com o braço esticado, erguido sobre a cabeça, segurando o copo. Os presentes interrogavam: “O que é isto, Tom?” Ao que ele retrucava: “O médico mandou que eu suspendesse a cerveja”.
Graciliano Ramos – O genial escritor, ateu, tinha a Bíblia como livro de cabeceira, e só bebia cachaça. E foi assim durante toda a vida. Um amigo meu, seu vizinho no Catete, Rio de Janeiro, me contou que o autor de “Vidas Secas” tinha como companheira uma pinga de nome Azuladinha, do Engenho de Bernardo Rollemberg, de Coruripe, das Alagoas. Degustei-a em 1995. Cachaça mediana, apenas bebível, longe da Excelência Sensorial.
Aliás, o nome da pinga – Azuladinha – é, na verdade, um diminutivo do tipo de cachaça Azulada (pela lei em vigor, hoje, “Cachaça composta”), nascida em Paraty, no Século XIX. Trata-se de uma cachaça nova, branca, que recebe na panela do alambique folhas de tangerina, conferindo-lhe, contra a luz, um tom azulado.
Não há mudança no aroma ou no sabor. No início do Século XX, o Nordeste se apropriou do nome “Azulada”, transformando o tipo de cachaça em várias marcas de cachaça, substituindo as folhas de tangerina por cascas de banana d’água, o que provoca o mesmo efeito cromático.
Baden Powell – Baden contou para o músico Fernando Mendonça (1959-1999), filho de Newton Mendonça, e este me contou. No início dos anos 1960, Baden, ainda solteiro e morando na Zona Norte do Rio, iniciava a sua luminosa carreira que o tornaria o maior violonista brasileiro do Século XX. Arranjava o único LP da excelente Célia Reis, que criava “Só danço o samba, de Tom e Vinicius”, faixa onde o MPB-4, de Niterói, que ainda eram três, aparecia pela primeira vez. Baden tocava violão em todo o disco “O samba é Célia Reis”.
Depois de uma noite numa zona de meretrício, com muito sexo e álcool, Baden dorme e quando acorda vê suas unhas muito bem cortadas, curtíssimas, as mesmas unhas que tangiam brilhantemente as cordas do violão. A prostituta explicou-se: “Você estava com as unhas tão grandes… Me deu pena de você. Resolvi cortar.” Foi-se, momentaneamente, o ganha-pão de Baden.
Tim Maia – Num final de tarde, adentra ao escritório do meu amigo Jorge Béja, o polêmico cantor e compositor Tim Maia. À época, ele havia comprado, fazia dois anos, um apartamento na planta, da Construtora Veplan, que não lhe entregava o imóvel já quitado. Deixou toda a documentação, assinou a procuração e pediu a Béja:
“Por favor, doutor, não entre na Justiça antes de eu ligar para o senhor. Se eu não ligar é porque eu mesmo resolvi a parada.” Béja, curioso, interrogou: “Mas por qual motivo?” Tim esclareceu: “Vou primeiro procurar os caras (se referia à Veplan). Vou mostrar e cantar para eles uma música que fiz e vou gravar”.
Béja, mais curioso ainda, perguntou: “Você pode cantar essa tal música para mim?” Tim soltou o vozeirão: “A ave plang, a ave plang / A ave plang é rapineira, / Sai fora dela, / A ave plang é traiçoeira, eira, eira, eira / Ave plang traiçoeira, eira, eira, eira…”
Béja lembra apenas deste refrão, mas a letra era enorme, contava a história de uma ave com o nome de “plang”. Tim nunca ligou para o advogado. Dois meses depois, Béja ligou para Tim para saber como ficou o caso. Tim explicou: “Obrigado, seu doutor. Já estou morando no apartamento. Não precisa ir pra Justiça, não. Cantei a música para o dono da construtora e eles me entregaram o apê em uma semana. Esperei dois anos e resolvi tudo em uma semana”.

Moreira Franco acentua divergência entre Michel Temer e os tucanos

Moreira Franco falou em nome de Temer, como se fosse porta-voz
Pedro do Coutto 
Numa entrevista ao repórter Pedro Venceslau, O Estado de São Paulo de terça-feira, o secretário de Investimentos Moreira Franco acentuou a existência de um desentendimento entre o Palácio do Planalto e o partido que compõe a base de governabilidade do presidente Michel Temer. As declarações de Moreira Franco, claro, refletem o sentimento de Temer, pois, caso contrário, não poderia ter feito as afirmações que fez.
A resposta saiu na edição de terça-feira e seu alvo direto foi o senador Aécio Neves que, em artigo na Folha de São Paulo de segunda-feira, criticou a atuação do ministro Henrique Meirelles no episódio da renegociação das dívidas que os Estados possuem para com a União Federal.
Ao Estado de São Paulo, o ex-governador do Rio de janeiro sustentou diretamente que Henrique Meirelles está sendo vítima de manipulação eleitoral.  Com esse posicionamento, Moreira reconheceu a existência de uma divisão que começa a emergir separando o PMDB e o PSDB, em função da luta pela presidência da república nas urnas de 2018.
JOSÉ SERRA – Era de esperar que tal viesse a acontecer, sobretudo porque José Serra foi o primeiro tucano a defender o apoio a Michel Temer, antes mesmo da aceitação do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Na época, José Serra até revelou sua intenção de integrar a equipe do governo Temer, condicionando, entretanto, seu apoio e sua aceitação ao compromisso de Temer não disputar a reeleição de 2018.
Agora as ondas começaram a se tornar mais fortes.           Os caciques do PSDB lançaram sua visão, e ação, contra o titular da Fazenda, vendo Henrique Meirelles como um obstáculo a uma ascensão tucana ao Planalto.
A contradição está assim colocada. Mas, afinal de contas, Meirelles tem pleno direito a disputar a sucessão, da mesma forma que Serra, Aécio ou Geraldo Alckmin.
REELEIÇÃO – Há também a perspectiva, não muito distante, de Michel Temer, atendendo a apelos, aceitar, como se diz na política, mais “um sacrifício” pela nação E se candidatar à reeleição. Isso de um lado. De outro, o problema maior situa-se no próprio PSDB, dividido entre as correntes de Alckmin, Serra e Aécio.
Geraldo Alckmin se fortalecerá na hipótese de seu candidato, João Dória, vencer as eleições para a prefeitura da capital paulista. Claro, como é também do jogo político, Serra e Aécio vão torcer contra ele. Pois se Dória vencer nas urnas de outubro, o governador paulista marcará um ponto importante para a sucessão presidencial de 2018, largando na frente na convenção do PSDB.
E como será a convenção do PMDB? Nesta altura dos acontecimentos, a aliança entre PMDB e PSDB parece ameaçada de se sustentar. Pois se hoje, dois anos antes, as divergências já se projetam de forma acentuada, que dirá na reta final da escolha dos candidatos. Ou candidatas, já que não podemos omitir o nome de Marina Silva no espaço crítico que vai anteceder as urnas presidenciais.
DIVERGÊNCIAS – O panorama, portanto, começa a ser traçado. Ao rebater as críticas  do PSDB, o secretário de Investimentos não falou apenas por si próprio. Na realidade, isso sim, expressou a irritação de Temer para a apressada tomada de posição tucana.
Houve precipitação, sobretudo porque, antes de mais nada, o calendário tem pela frente os votos finais do Senado, as eleições municipais deste ano, a formação definitiva de um governo, o de Michel Temer, que até o final de agosto ou início de setembro, ainda não é definitivo.
Aliás, não existe nada definitivo em política antes da hora decisiva.

Senadores não gostaram da carta, divulgada antes que eles lessem o texto

Dilma errou ao divulgar o teor da carta precipitadamente 

José Carlos Werneck
Além de insistir na denúncia de que está sendo vítima de um “inequívoco golpe”, o que significa uma ofensa aos parlamentares, a presidente afastadíssima Dilma Rousseff errou também ao dar entrevista e divulgar o teor da carta que enviou a todos os senadores para repetir que o impeachment é uma injustiça .
Em desesperada busca de votos contra seu afastamento definitivo, Dilma convocou a imprensa ao Palácio da Alvorada e leu carta dirigida aos senadores e distribuiu o texto aos jornalistas. Assim, a carta passou a ser conhecida antes mesmo que muito senadores tivessem lido o texto entregue em seus gabinetes.
No mais, Dilma afirmou ser uma injustiça a cassação de seu mandato, admitiu que cometeu erros à frente do Presidência da República, insistiu na realização de um plebiscito e sugeriu um pacto nacional para o bem do Brasil. Enfim, mais um espetáculo circense da pior qualidade, oferecido à nação pela presidente afastada.

Odebrecht revela ter dado R$ 500 mil ao marido de Marta, no caixa 2, em 2010

Márcio Toledo é acusado de ter negociado a doação ilegal
Bela Megale

Folha
A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) recebeu doação de R$ 500 mil via caixa dois da Odebrecht na campanha de 2010, segundo informação prestada durante processo de delação premiada de executivos da empresa. Corrigido pela inflação do período, o valor seria hoje de R$ 757 mil. Na época, Marta concorreu ao cargo pelo PT, partido que deixou em 2015 para se filiar ao PMDB, legenda pela qual disputa este ano a Prefeitura de São Paulo.
A senadora nega a acusação e diz não ter recebido doações da Odebrecht na eleição de 2010. Não constam registros de contribuição da empreiteira à campanha dela na Justiça Eleitoral naquele ano.
A informação foi prestada há cerca de duas semanas aos procuradores da República em Curitiba, que conduzem o processo de delação. A negociação com os executivos ocorre paralelamente às conversas sobre a leniência com a Odebrecht, espécie de delação para pessoas jurídicas.
DELAÇÃO PREMIADA – A citação a Marta integra um dos volumes preliminares da negociação com os procuradores. Caso o acordo de delação seja fechado, essas informações poderão ou não entrar na versão final.
Segundo depoimento prestado aos procuradores, a negociação sobre os R$ 500 mil foi feita com o empresário Márcio Toledo, hoje marido de Marta e namorado da senadora em 2010. Toledo atuou nos bastidores da coordenação daquela campanha, inclusive na articulação para buscar potenciais doadores.
É a primeira vez que Marta Suplicy aparece como suposta beneficiária de caixa dois na investigação da Lava Jato. Em junho do ano passado, o nome da senadora apareceu em laudo da Polícia Federal mostrando que sua campanha para o Senado recebeu R$ 100 mil em doações oficiais de duas empresas do lobista Julio Camargo, outro delator da Lava Jato. Essas empresas se tornaram alvo de investigação por receber dinheiro da empreiteira Camargo Corrêa sem ter prestado serviço.
APOIO A SERRA – A Folha revelou, no dia 7 de agosto, que executivos da Odebrecht afirmaram aos investigadores da Lava Jato que a campanha do hoje ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP), à Presidência, em 2010, recebeu R$ 23 milhões da empreiteira via caixa dois. Corrigido pela inflação do período, o valor atualmente equivale a R$ 34,5 milhões.
Marta Suplicy se elegeu senadora em 2010 por São Paulo com 22% dos votos, atrás de Aloysio Nunes (PSDB), que teve 30%. Em abril de 2015, após ser ministra de Dilma Rousseff, ela entregou carta de desfiliação acusando o PT de limitar sua atuação. Cinco meses depois, se filiou ao PMDB com o objetivo de concorrer à prefeitura. Em pesquisa Datafolha em julho, ela apareceu em segundo lugar, com 16%.
OUTRO LADO – Procurada pela reportagem, a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) afirmou, por meio de sua assessoria, que “não houve nenhuma doação da Odebrecht” à sua campanha nas eleições de 2010. “Os responsáveis pela arrecadação e prestação de contas foram o tesoureiro da campanha e o Comitê Financeiro Único do PT”, afirmou. “Todas as doações da campanha foram contabilizadas oficialmente e declaradas à Justiça Eleitoral”, completou.
Apontado pela empreiteira investigada na Lava Jato como intermediário da negociação para o suposto repasse, o marido dela, Márcio Toledo, declarou ser “leviana e mentirosa a afirmação de que negociei com a Odebrecht doação de recursos para a campanha de Marta Suplicy ao Senado em 2010”.

Bumlai continua “trouxa” e dirá que reformou o sítio, sem saber que era de Lula

Bumlai segue o exemplo de Lula e vai dizer que não sabia de nada
Cleide Carvalho

O Globo
O pecuarista José Carlos Bumlai vai admitir à Polícia Federal (PF) que fez reformas no sítio de Atibaia a pedido da ex-primeira dama Marisa Letícia, mas vai dizer que a reforma da propriedade seria uma surpresa ao ex-presidente Lula e que, na ocasião, soube apenas que o sítio havia sido comprado por Fernando Bittar, amigo da família. O depoimento será na sede da PF em São Paulo. Segundo as investigações, a Usina São Fernando, da família Bumlai, fez pagamentos a uma das empresas que atuou na reforma do sítio, depois assumida pelas contrutoras Odebrecht e OAS.
Bumlai vai dizer que, quando se dispôs a ajudar, a reforma era apenas “um puxadinho” da casa principal e que enviou pessoas que estavam fazendo obras na Usina São Fernando. Como a obra não andou rápido, dona Marisa teria dispensado os trabalhadores enviados pelo pecuarista e buscado ajuda de profissionais.
MUITAS OBRAS – Segundo as investigações, depois que os indicados por Bumlai deixaram o sítio, a obra teria sido assumida pela construtora Odebrecht. A OAS também fez parte da reforma, como contenção no lago e reforma da cozinha, com instalação de móveis planejados. A Lava-Jato investiga se o sítio de Atibaia pertence ao ex-presidente Lula e a propriedade estaria sendo ocultada, já que está em nome de Fernando Bittar e Jonas Suassuna Filho. A defesa de Lula afirma que Bittar e Jonas já provaram que são os donos e que pagaram pelas reformas. Marisa Letícia tinha depoimento agendado para esta terça-feira, mas não compareceu e alegou direito ao silêncio.
Por determinação do juiz Sérgio Moro, Bumlai deve retornar à prisão no próximo dia 23, depois de ficar cerca de cinco meses em prisão domiciliar para tratamento de um câncer de bexiga. Ao decretar a prisão, o juiz considerou que o tratamento do câncer e o acompanhamento cardíaco – Bumlai foi submetido a cirurgia cardíaca neste período – podem ser feitos na prisão e considerou como fato novo o pecuarista ter se transformado em réu num processo que investiga obstrução de Justiça – o mesmo que levou o ex-senador Delcídio do Amaral à prisão, por tentativa de comprar o silêncio e facilitar possível fuga do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
HABEAS CORPUS –A defesa de Bumlai entrou com habeascCorpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter a decisão. Argumentou que nenhum dos envolvidos na suposta obstrução de Justiça envolvendo Cerveró está preso e que Bumlai tem colaborado com a Justiça. O pecuarista confessou ter retirado um empréstimo no Banco Schahin para o PT, que acabou sendo pago com um contrato firmado pelo grupo com a Petrobras. Segundo os advogados, Bumlai foi um “trouxa” usado pelo PT, já que não se beneficiou com dinheiro do empréstimo e apenas foi usado seu nome para a retirada do empréstimo.
“Bumlai não tem passaporte estrangeiro, não movimenta contas em paraísos fiscais, não destruiu provas, não tentou fugir, não coagiu testemunhas e não deu nenhum indicativo de que poderia obstruir as investigações ou a instrução criminal. Aliás, de 2009 para cá – data do último fato supostamente criminoso a ele imputado – não praticou nenhuma conduta que pudesse ser classificada de delituosa”, afirma a defesa no HC, acrescentando que ele tem 71 anos e é réu primário.
Ao determinar a prisão, Moro afirmou que Bumlai pode recorrer a novos “expedientes fraudulentos” para ocultar a realidade dos fatos. Para a defesa, trata-se de uma antecipação de culpa e seu cliente não deve ser preso apenas porque a sociedade “precisa reconhecer a forte atuação do Judiciário do combate à corrupção”.

Piada do Ano: Lindbergh Farias afirma que ainda existem senadores “indecisos”

Mariana Haubert

Folha
O apelo feito pela presidente afastada Dilma Rousseff, na carta endereçada aos senadores, foi visto com descrédito por adversários e com desconfiança sobre a sua eficácia por aliados, ainda que estes a defendam publicamente. Para os que querem a sua saída definitiva, a carta é um ato de “desespero político”. Já os aliados acreditam que o gesto é importante para o seu posicionamento, mas foi feito com muito atraso para funcionar efetivamente como um instrumento de convencimento de alguns parlamentares que ainda poderiam mudar o voto. Ainda assim, os senadores avaliam que é possível tentar angariar algum apoio a partir da divulgação do documento.
“Acho que essa carta é importantíssima. Vai dialogar com muitos senadores que estão indecisos, principalmente sobre essa proposta de plebiscito e antecipação das eleições. A carta chega no momento certo. Nós não jogamos a toalha ainda. Muitas conversas estão acontecendo”, afirmou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), líder da oposição no Senado.
“Essa carta é um ato de desespero político. É extemporânea, intempestiva, fora do ‘timing’. Depois de ter virado as costas para o Congresso e a sociedade, agora ela quer dialogar? O Senado dará sequência ao julgamento e irá puni-la. Ela não é inocente porque os crimes foram praticados”, rebateu o líder do PSDB na Casa, Cássio Cunha Lima (PB).
PROPOSTAS DE DILMA – Na carta, Dilma pediu a senadores que “não façam a injustiça” de condená-la por um crime que “não cometeu”, e se disse mais uma vez vítima de um “inequívoco golpe”. Ela também defendeu a realização de um plebiscito para novas eleições e a realização de uma reforma política.
Para seus adversários, a proposta de plebiscito não é “sincera” porque está sendo feita às vésperas do fim do processo de impeachment. “Se ela quisesse isso mesmo teria proposto enquanto era presidente. Ela escreveu o capítulo final de uma triste história de quem se afastou da sociedade”, disse Lima.
No mesmo sentido, o senador Ronaldo Caiado (GO), líder do DEM, afirmou que Dilma teria “toda a credencial” para levantar a tese sobre novas eleições se ainda estivesse no exercício do mandato. “Mas agora que ela já viu que todas as fases foram ultrapassadas e que está prestes e ser destituída, só agora ela clama por um plebiscito? Isso é um factoide”, disse.
SENADOR RECLAMA -O envio da carta também foi criticado pelo senador Ataídes de Oliveira (PSDB-TO) no plenário do Senado. O tucano pediu a palavra para dizer que “não entendeu o motivo de ter recebido tal documento”. “Ela me mandou a carta em papel couchê de primeira qualidade. Mas ela não precisava usar papel dessa qualidade porque não vai me convencer”, afirmou, provocando leve risada de alguns colegas que estavam por perto.
Já o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), avaliou que a divulgação da carta neste momento dá uma sinalização importante sobre a sua capacidade de governança que ela poderia ter. “Sem dúvida, após um plebiscito que definisse a continuidade do governo dela, ela passaria a ter mais legitimidade suplementar para estabelecer boa relação com Congresso”, disse.
IRRITAÇÃO – Apesar da defesa pública da presidente, aliados da petista ficaram irritados com a forma com que o documento foi divulgado. Eles receberam cópias em papel no mesmo momento em que Dilma fazia a leitura do documento, ato que foi acompanhado por jornalistas no Palácio da Alvorada e transmitido pela sua página no Facebook.
A fase final do processo de impeachment começará no dia 25 de agosto e a expectativa é de que dure entre três e quatro dias. De acordo com Lindbergh, a intenção de Dilma é ir ao Senado “enfrentar cada senador, um a um”. “A presença dela aqui, com certeza, seria um grande fato político que pode reverter esse processo injusto. Ela está convencida de que não cometeu crime. O país vai parar para acompanhar o depoimento e ela vai poder encarar cada um no olho”, afirmou o petista.
A decisão sobre sua presença, no entanto, ainda não foi oficializada. A presidente poderá ir ao Senado se defender pessoalmente. Ainda há dúvidas sobre se ela responderia a questionamentos dos parlamentares ou não.
Fonte: http://www.tribunadainternet.com.br/

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