quarta-feira, 10 de agosto de 2016

TRIBUNA NA INTERNET

Memórias da Corrupção: ex-diretor da Petrobras está escrevendo um livro

Paulo Roberto Costa mudou o visual, para não ser reconhecido
Juliana Castro

O Globo
Primeiro delator do esquema de corrupção na Petrobras, o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa tem gastado o tempo livre escrevendo um livro que trará sua visão sobre a Lava-Jato. É por isso que anda contabilizando o número de depoimentos que já deu à Polícia Federal, Ministério Público Federal (MPF) e Justiça Federal. Já foram 199 no total. O último deles foi na semana passada, quando foi ouvido como testemunha num processo contra o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com quem ficou frente a frente durante a oitiva.
O Globo conversou com Paulo Roberto Costa e com o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró enquanto eles esperavam para entrar na sala de audiências. Costa e Cerveró se cumprimentaram assim que se encontraram no corredor do prédio da Justiça Federal do Rio. O lobista Fernando Soares, o Baiano, chegou depois.
— Vão ser 22 capítulos. Agora, estou escrevendo o décimo — disse Paulo Roberto Costa, afirmando ainda que está em busca de uma editora.
BONÉ, BARBA E ÓCULOS – Costa contou que, apesar de estar em regime semiaberto, não tem saído muito de casa. Vez ou outra, faz coisas rotineiras, como ir à farmácia. Também já conseguiu renovar a carteira de motorista e veio de Itaipava ao Rio dirigindo o próprio carro. Não conseguiu almoçar e acabou comendo um lanche na lanchonete da Justiça Federal. De boné, barba branca e óculos escuros, não foi reconhecido.
O ex-diretor disse nunca ter imaginado que a Lava-Jato tomaria a dimensão que tomou: “Acho que ninguém imaginava”.
Já Cerveró, que está em prisão domiciliar e usa tornozeleira eletrônica, emocionou-se ao lembrar que há oito meses não vê a única neta, que foi morar no exterior com o pai dela, Bernardo Cerveró. O filho de Cerveró gravou o senador cassado Delcídio Amaral incentivando a fuga do ex-diretor da Petrobras do país. Perguntado se ficou orgulhoso da atitude do filho, Cerveró não titubeou.
— Claro! Até o (juiz Sérgio) Moro elogiou — disse.
EM TODAS AS CELAS – O ex-diretor da Petrobras Cerveró contou que, enquanto esteve preso, ocupou todas as celas da carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde ficavam outros investigados.
Mais calado, Baiano contou que resolveu fazer a delação premiada por causa da família e também por conta do que a imprensa estava publicando. O lobista disse que foram feitos tantos perfis na imprensa que nem ele mesmo sabe qual perfil está valendo agora. Em prisão domiciliar, Baiano disse que tem passado o tempo lendo. Está agora com um livro sobre Martin Luther King.

Governo espera conseguir hoje 60 votos a favor do impeachment de Dilma

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, coordena sessão do Senado que analisa processo de impeachment
Sessão é presidida por Lewandowski, sem hora para acabar
Valdo Cruz e Mariana Haubert

Folha
A equipe do presidente interino, Michel Temer (PMDB), trabalha para obter até 60 votos favoráveis à continuidade do processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), na votação prévia do julgamento, para pronúncia do réu, que na sessão iniciada na manhã desta terça-feira (9).  Aliados de Temer querem garantir ampla margem de segurança para o peemedebista nesta votação, na qual é necessário apoio de mais da metade dos presentes (ao menos 41 senadores precisam comparecer à sessão). Nesta fase, os parlamentares decidem se a petista se torna ré de fato.
No julgamento final, que deve começar por volta do dia 25 de agosto, são necessários 54 votos para que Dilma seja afastada definitivamente. Na fase de admissibilidade do processo, o placar registrou 55 votos contra Dilma e 22 a favor.
Segundo a Folha apurou, o Planalto espera contar com os votos dos senadores João Alberto (PMDB-MA), que foi contra a abertura do processo no Senado em maio, Jader Barbalho (PMDB-PA) e Eduardo Braga (PMDB-AM), que não votaram da primeira vez, e do suplente do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), Pedro Chaves (PSC-MS), que ainda não havia tomado posse na primeira votação.
TAMBÉM RENAN – O governo Temer acredita ainda que poderá ter o voto do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que sinalizou que pode votar nesta fase. Por mais de uma vez, Renan afirmou que não votaria em nenhuma fase do processo para se preservar enquanto presidente do Congresso. Ele, porém, tem se aproximado de Temer.
A expectativa do Planalto é que a oposição não ultrapasse 18 votos. No Senado, porém, defensores de Dilma estimam que podem ter 22 votos, ainda assim, insuficientes para derrubar o processo.
A sessão desta terça está marcada para às 9h e a previsão é que dure mais de 20 horas. Os senadores votarão o parecer do relator do processo, Antonio Anastasia (PSDB-MG), favorável ao afastamento definitivo de Dilma.
JUÍZO DE PRONÚNCIA – É a segunda fase do processo de impeachment, chamada de “juízo de pronúncia”, quando se declara que há elementos de prova contra a denunciada e que deve haver o julgamento final. O comando da sessão desta terça está a cargo do presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski.
No início da sessão, o relator Antonio Anastasia (PSDB-MG) teve meia hora para defender o afastamento definitivo de Dilma. Em seguida, será aberta a palavra a todos os senadores, que poderão falar por dez minutos cada um. Mais de 30 parlamentares já se inscreveram para discursar.
Em seguida, a acusação terá meia hora para apresentar seus argumentos, mesmo tempo concedido à defesa. Após o pronunciamento das partes, haverá a fase de encaminhamento, a última antes da votação: dois oradores da defesa e dois oradores da acusação terão o microfone por cinco minutos, cada um.
O painel será então aberto a voto, o que pode acontecer só na madrugada ou manhã de quarta-feira (10).

O contexto de Rafaela Silva, uma campeã nem tão improvável


Rafaela Silva comemora o ouro conquistado na Rio-2016 Foto: JACK GUEZ / AFPLucas Alvares
No Brasil, durante décadas, a participação de negros em atividades esportivas foi socialmente condicionada às modalidades onde a explosão, a velocidade e a força bruta eram mais exigidas. Desse modo, tivemos negros brasileiros com destaque nos esportes coletivos, no atletismo (com toda uma geração de brilhantes saltadores, de Adhemar Ferreira da Silva a João do Pulo, passando por Nelson Prudêncio) e no boxe, nas luvas de Servílio de Oliveira, bronze em Cidade do México 1968.
Curiosamente, mas não por acaso, as modalidades consagradas à participação de negros são aquelas que exigem menor estrutura para treinos e competições, bem como as que contam com técnicas de mais fácil aprendizagem, dada a sua notoriedade. Esportes sofisticados, de aparato tecnológico caro e técnicas repletas de especificidades eram restritos a camadas privilegiadas, cujos representantes eram costumeiramente mandados treinar no exterior.
O ouro de Rafaela Silva no judô, o primeiro de uma mulher negra em um esporte individual, é icônico: representa o fenômeno da mobilidade social que o Brasil presencia há mais de uma década. E não se trata apenas de glorificar o papel do Estado brasileiro na formação da atleta e cidadã, muito embora tal apoio seja fundamental, pois Rafaela é militar da Marinha do Brasil, onde recebe o acompanhamento profissional e partilha a estrutura necessária a seu progresso esportivo.
PROJETO SOCIAL – Além de um sintoma de política pública bem executada, a filha da Cidade de Deus é também fruto do amadurecimento de nossa sociedade civil. Cria de um projeto social, o Instituto Reação, do ex-judoca Flavio Canto, Rafaela é a comprovação viva do papel emancipador do esporte quando democratizado a grupos historicamente marginalizados de nossa sociedade, não apenas com o oferecimento das modalidades que sempre foram oferecidas, mas também com novas atividades.
É preciso peneirar talentos que contemplem todas as modalidades olímpicas, do futebol masculino ao tiro com arco, para tornar o Brasil a potência esportiva que ainda não é.
VISÃO DO PAI – Além do aprimoramento da atuação do Estado brasileiro e das formas de organização de nossa sociedade, o sucesso de Rafaela é também produto de uma precisa intervenção familiar, quando seu pai, Luiz Carlos, enxergou como remédio para a filha brigona, ainda uma criança, o disciplinamento de seus impulsos a partir da prática esportiva. Seu sucesso é prova da relevância de uma sólida base familiar.
A atitude certeira do pai e o amparo em outras instâncias contribuíram para produzir uma campeã aparentemente improvável pela trajetória histórica do negro brasileiro nos esportes olímpicos, quase sempre relegada a um pequeno punhado de modalidades, mas icônica do quanto é possível gerar desenvolvimento social a partir da democratização das práticas esportivas.

Faz sucesso o desabafo de Paloma Amado sobre a prepotência dos políticos

Paloma relata uma cena deprimente em Paris
Mário Assis Causanilhas
Está circulando na internet, fazendo grande sucesso, um primoroso texto publicado pela psicóloga Paloma Jorge Amado, filha dos escritores Jorge Amado e Zélia Gattai. O artigo foi publicado inicialmente no Facebook dela e depois transcrito em grande número de sites, portais e blogs. É uma bela reflexão sobre a arrogância e a prepotência da maioria dos políticos brasileiros, que costumam agir de forma preconceituosa, sem terem medo do ridículo.
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ODEIO PREPOTÊNCIA
Paloma Amado
Era 1998, estávamos em Paris, papai já bem doente, participara da Feira do Livro de Paris e recebera o doutoramento na Sorbonne, o que o deixou muito feliz.
De repente, uma imensa crise de saúde se abateu sobre ele, foram muitas noites sem dormir, só mamãe e eu com ele. Uma pequena melhora e fomos tomar o avião da Varig (que saudades) para Salvador. Mamãe juntou tudo que mais gostavam no apartamento onde não mais voltaria e colocou em malas.
Empurrando a cadeira de rodas de papai, ela o levou para uma sala reservada. E eu, com dois carrinhos, somando mais de 10 malas, entrava na fila da primeira classe.
Em seguida chegou um casal que eu logo reconheci, era um político do Sul (não lembro se na época era senador ou governador, já foi tantas vezes os dois que fica difícil lembrar).
A mulher dele parecia uma árvore de Natal, cheia de saltos, cordões de ouros e berloques (Calá, com sua graça, diria: o jegue da festa do Bonfim).
É claro que eu estava de jeans e tênis, absolutamente exausta. De repente, a senhora bate no meu ombro e diz: “Moça, esta fila é da primeira classe, a de turistas é aquela ao fundo.”
Me armei de paciência e respondi: “Sim, senhora, eu sei.”
Queria ter dito que eu pagara minha passagem enquanto a dela o povo pagara, mas não disse. Ficou por isso.
De repente, o marido disse à mulher, bem alto para que eu escutasse: “Até parece que vai de mudança, como os retirantes nordestinos”.
Eu só sorri. Terminei o check in e fui encontrar meus pais na sala reservada. Pouco depois bateram à porta. Era o tal casal querendo cumprimentar o escritor. Não mandei a putaquepariu, apesar de desejar fazê-lo. Educadamente disse não.
Quando vi na TV o senador dizendo que fora agredido por um repórter, por isso tomou seu gravador, apagou seu chip, eteceteraetal, fiquei muito ‘arretada’, me deu uma crise de mariasampaismo e resolvi contar este triste episódio pelo qual passei.
Só eu e o gerente da Varig fomos testemunhas deste episódio, meus pais nunca souberam de nada.
OBS: O senador se chama Roberto Requião.

Marisa Letícia, Lulinha e os “donos” do sítio de Atibaia são intimados a depor

Força-tarefa da Lava Jato aperta o cerco à família de Lula
Dimitrius Dantas

O Globo
A mulher do ex-presidente Lula, Marisa Letícia, e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foram intimados a depor pela Polícia Federal no processo que investiga a ligação de Lula com um sítio na cidade de Atibaia. Dois sócios de Lulinha que aparecem como proprietários do sítio em Atibaia, Fernando Bittar e Jonas Suassuna, também foram intimados.
A Polícia Federal entrou em contato com a defesa de Marisa Letícia e Fábio Luís na última quinta-feira, mas não obteve retorno. O advogado de Jonas Suassuna afirmou que conversaria com seu cliente em relação à intimação. O depoimento de Fernando Bittar já foi marcado.
O pedido foi feito na última quinta-feira, mas foi anexado ao processo apenas esta semana. A PF também pediu a seus peritos a análise do patrimônio de Lulinha, Fernando Bittar, Jonas Suassuna e de outro filho de Lula, Luís Cláudio.
EVOLUÇÃO PATRIMONIAL – A Polícia Federal questiona se há compatibilidade na movimentação financeira e na evolução patrimonial dos investigados com seus rendimentos declarados. Quanto a Bittar e Suassuna, o delegado pediu exame que apure se os dois possuíam lastro patrimonial para a aquisição e reformas do sítio em Atibaia. O terreno do imóvel é dividido em duas propriedades, cada uma em nome de Fernando Bittar e Jonas Suassuna.
Em relação à Lulinha e Luís Cláudio, a Polícia Federal pediu uma análise que apure se ambos possuem registros do pagamento de aluguel de dois imóveis. Em relação à Lulinha, o imóvel investigado é um apartamento na zona sul de São Paulo. O imóvel está registrado em nome de Jonas Suassuna, sócio de Lulinha. Suassuna é sócio de Fábio Luís na BR4 Participações, enquanto Fernando Bittar é sócio de Lulinha na G4 Entretenimento.
DEPOIMENTOS – Outros depoimentos realizados no âmbito da investigação também foram anexados ao processo. Entre eles, está o de Celso Silva Vieira Prado, que trabalha com a família Bittar há mais de 20 anos. Fernando Bittar é filho de Jacó Bittar, um dos fundadores do PT. Prado afirmou em depoimento que faz visitas constantes às propriedades da família, mas não conhecia o sítio registrado em nome de Fernando Bittar na cidade de Atibaia e que, apesar das visitas rotineiras às propriedades da família, suas visitas não incluíam o sítio de Atibaia.
Em seu depoimento, prestado em março passado à PF durante a Operação Alethea, Rogério Pimentel, ex-assessor da Presidência, confirmou ter pegado envelopes com dinheiro das mãos do engenheiro Frederico Barbosa, por duas vezes, para pagar materiais de construção usados na obra do sítio, mas afirmou não saber que ele era funcionário da Odebrecht.
Pimentel confirmou ter recebido um pedido de dona Marisa para acompanhar o andamento das obras do sítio de Atibaia, mas disse que nunca ouviu alguém dizer que a propriedade era da família Lula. Para ele, o sítio era de Fernando Bittar, amigo da família, e o interesse de dona Marisa era vinculado à necessidade de ter onde guardar os presentes que Lula ganhou durante seus dois mandatos como presidente.
FAZENDO “FAVOR” – Ele negou saber quem pagou pela instalação de um gerador e de uma estação de tratamento de esgoto no sítio e afirmou que, mesmo depois de exonerado do cargo, em junho de 2012, voltou ao sítio, a pedido de dona Marisa, para receber cerca de 70 caixas de vinho do ex-presidente, a título de “favor”, já que havia sido o responsável pelo recebimento da mudança do casal de Brasília para São Paulo em 2011, no término do mandato.
O processo investiga a propriedade e reforma de um sítio em Atibaia. A propriedade aparece em nome de Jonas Suassuna e Fernando Bittar, no entanto, o Ministério Público suspeita que o sítio seja de Lula. Em relação à reforma, o MP afirmou que há indícios de que a Odebrecht, a OAS e a Usina São Fernando participaram da reforma.
Em laudo realizado pela Polícia Federal, os peritos afirmaram que o ex-presidente Lula e sua mulher, dona Marisa Letícia, orientaram a reforma da cozinha da propriedade, no valor de R$ 252 mil. De acordo com a análise realizada pela PF, as reformas na propriedade custaram R$ 1,2 milhão.
De acordo com o laudo, os investimentos são discordantes em relação aos rendimentos e bens declarados no imposto de renda de um dos supostos proprietários do sítio, Fernando Bittar. A Polícia Federal, no entanto, admitiu que se faz necessária a realização de exames periciais contábeis específicos para apurar a evolução patrimonial de Fernando Bittar.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Além de Lula, mulher e filhos, também os “donos” do sítio, incluindo o ex-prefeito Jacó Bittar, vão ser incriminados como cúmplices de ocultação de patrimônio (lavagem de dinheiro) e fatalmente serão condenados, caso não façam delação premiada. (C.N.)
Fonte: http://www.tribunadainternet.com.br/

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