segunda-feira, 22 de agosto de 2016

ESQUERDA CAVIAR

Carioca de Madureira bomba na web com relato real e irônico da “esquerda caviar”

A história, real e divertida, traz alguns detalhes bem reveladores.
Há algum tempo, escrevemos sobre o “socialismo classe média”, tratando dos meninos riquinhos que fingem ter algum tipo de consciência social, conhecem os termos em inglês para trocentos tipos de opressão e acreditam piamente lutar em favor dos menos favorecidos (tudo isso de seus computadores caros e em suas casas ou escritórios bem localizados).
Nesse sentido, a escritora Elika Takimoto, com muito bom humor, narrou um episódio que revela muito mais do que a pura piada da coisa. O retrato dos jovens de classe média alta, reunidos em bairros de elite para tratar das pautas socialistas, é perfeito. E, embora situado no Rio, serve também para Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, São Paulo, Porto Alegre e assim por diante.
Em toda capital, infalivelmente, há grupos de jovens abastados falando em favor do socialismo – claro, sempre em lugares não exatamente baratos e sem qualquer pobre por perto. Eis que a pessoa “pobre”, ao menos para eles, aparece naquela rodinha.
A seguir, trechos desse caso real:
Moro em Madureira e ando por esse Rio de Janeiro todo. Não pertenço a grupo nenhum e frequento os mais diversos tipos de ambientes. Vai da vontade do dia. Posso sair de uma sessão de um cinema mega cult em Botafogo direto para uma sessão espírita em Cavalcante (para quem não sabe, Cavalcante é um bairro inexplicável no subúrbio do Rio) (…) Outro dia, por exemplo, estava na Praça São Salvador em Laranjeiras. Lá é um reduto, digamos, de comunistas, esquerda-holics, que gostam de samba, chorinho, Marx, Engels, Bakunin e de beber e fumar alucinadamente. A despeito de não poder beber e jamais ter fumado nada na vida, adoro estar por ali, pois todo o resto me agrada e nada me incomoda. Pelo contrário, me diverte por demais como vocês verão. Houve um fato curioso. Fui apresentada como sempre para novas pessoas e não sei por quê alguém me perguntou onde morava.
– Madureira. – respondi.
Para quê. Me senti um ET.
– Ela mora em Madureira! – um gritou.
E, em segundos, eu estava no centro da roda me sentindo em uma sala escura sentada em uma cadeira com uma luz somente no meu rosto (…) Eu havia virado atração turística nível Cristo Redentor para aquele bando de hipster que me cercava. Eu era uma pobre para eles, mas não pobre-empregada-doméstica, era a pobre que eles queriam para interagir. A pobre idílica. Não sou do tipo miserável, tenho todos os dentes, fico bem na foto. Mas sou aquela que mora onde tem “casas simples com cadeiras na calçada”, gente humilde que Chico Buarque já exaltou em sua canção. A pobre perfeita para encher qualquer morador da zona Sul de cultura (…) Eu era definitivamente a pobre que todos procuravam. Não sou do funk e nem do rap, coisas da classe D ou E. Sou classe C para cima, meu bem. Não sou evangélica nem sequer cristã e ainda por cima moro perto de um Guanabara que vive lotado (…) Pronto. Era só o que me faltava. Fazer parte do programa do Esquenta-Caviar. Que diabos essa galera queria ver? Se minha cozinha tem filtro de barro? Se tomo banho de balde? Como é a churrasqueira na minha laje? Vão querer buscar tendências de moda no meu guarda-roupa e inspiração de vida nas sábias palavras de Janete? (…) É isso, galera, agora mais um rótulo para mim. Sou pobreza-premium ao dispor do turista-esquerda-holics-caviar.” (grifos nossos)
Sejamos todos sinceros, isso poderia ter acontecido em qualquer grande cidade do Brasil. Todas elas têm sua meia dúzia de riquinhos de esquerda que se encanam – ou fingem ficar encantados – quando por acaso encontram alguém que acreditem ser pobre; ainda que não seja de fato pobre, mas simplesmente não more  nos bairros elitizados e caríssimos em que vivem.
Fonte: http://www.implicante.org/

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