sexta-feira, 26 de agosto de 2016

CUIDADO, FALECIDA!

Janaína diz que não vai bater boca com Dilma, mas avisa: “Não me calo”

Senadores temem que advogada, cujo comportamento é considerado explosivo por parlamentares, discuta com a presidente na segunda-feira, quando Dilma comparecerá ao Senado
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Apesar da preocupação por parte de alguns senadores, a advogada Janaína Paschoal afirmou nesta quinta-feira (25) que não pretende protagonizar embates com a presidente Dilma Rousseff na próxima segunda-feira (29), quando a petista irá ao Senado para se defender. Uma das autoras da denúncia contra Dilma, Janaína diz, porém, que não vai se calar.“Podem olhar, durante o processo eu não faltei com respeito com ninguém. Eu sempre refutei argumentos, eu nunca ofendi ninguém, nunca acusei ninguém de nada. Só que eu não posso me calar diante de mentiras, de argumentos que são distorcidos”, disse Janaína. “Nunca desrespeitei ninguém e não desrespeitarei a presidente, primeiro porque ela é um ser humano, segundo porque ela é a presidente da República, e ainda que ao final o processo venha a ser julgado procedente, ela será a ex-presidente da República e merece todo o respeito”, acrescentou.
A apreensão por parte de senadores aliados a Michel Temer é fundamentada no comportamento considerado explosivo da advogada. Durante a realização dos trabalhos da Comissão do Impeachment no Senado, Janaína discutiu com senadores petistas. Alguns parlamentares chegaram a reclamar da falta de foco da advogada.
Em evento a favor do impeachment realizado da Faculdade de Direito da USP, Janaína protagonizou uma cena que viralizou na internet. Segurando uma bandeira do Brasil, a advogada – que leciona na faculdade – recorreu a uma parábola bíblica e disse que o Brasil “não é a república da cobra”. Segundo ela, quando “a cobra cria asa”, Deus manda “uma legião para libertar o país do cativeiro de almas e mentes”.*
(*) Congresso em Foco
VAI PIORAR
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A arrecadação de royalties e das participações especiais do petróleo caíram 30% no período de janeiro a julho ante igual período de 2015 (Os royalties caíram 22% e as participações especiais 43%.)
Motivo: a queda do preço do barril de petróleo e a queda na produção de petróleo da Petrobras de 0,7% nesse mesmo período.
Para o Rio de Janeiro, o que já é uma péssima notícia, pode piorar: a produção de petróleo na Bacia de Campos, a principal geradora de royalties para o estado, vem caindo cerca de 14% ao ano.*
(*)  Lauro Jardim – O Globo

A PROPÓSITO
O Rio continua sendo…
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Passada a Olimpíada, o Rio de Janeiro continua sendo… um Estado cheio de problemas. Desta vez, a Justiça arrestou R$ 4,8 milhões do governo estadual. O dinheiro será usado para pagar o aluguel social das 10 mil famílias cadastradas no programa assistencial fluminense.
O arresto foi pedido pela Defensoria Pública. Já o governo diz que ainda não foi notificado e pagará a dívida, assim que houver dinheiro.*
(*) O FINANCISTA

“PÁGINA INFELIZ DA NOSSA HISTÓRIA”

 Muito além do impeachment

Ascensão de Temer, o terceiro vice afortunado numa linhagem que abrange Itamar Franco, não assinala um novo começo, mas um desfalecimento

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“Não celebramos, hoje, uma vitória política. Esta solenidade não é a do júbilo de uma facção que tenha submetido a outra, mas festa da conciliação nacional, em torno de um programa político amplo, destinado a abrir novo e fecundo tempo ao nosso país.” Três décadas atrás, em março de 1985, estas frases, escritas pelo presidente Tancredo Neves para seu discurso de posse, foram lidas pelo vice José Sarney, que subia a rampa do Planalto e proclamava o ano zero da “Nova República”. Michel Temer, o sapo transformado em príncipe, logo as ecoará, com alguma variação retórica, marcando a conclusão do impeachment de Dilma Rousseff. Como quem sacode o paletó, expurgando-o de impurezas, o presidente se libertará do rótulo de “interino” invocando a “conciliação nacional” e anunciado a aurora de um “novo tempo”. A história se repetirá, mas como farsa. De fato, isso é um epílogo, não uma introdução.
O Brasil já teve uma República Nova, proclamada por Getúlio Vargas em 1930, e uma República Velha, o nome pouco lisonjeiro com o qual os vencedores da Revolução de 1930 batizaram o período republicano inicial, inaugurado em 1889. Naquela estranha transição de 1985, pela voz inesperada de Sarney, antigo líder da Arena, o partido de sustentação do regime militar, Tancredo inventou a “Nova República”. A expressão evocava a ideia ilusória de uma ruptura radical. Na prática, a nítida cisão consumou-se mais tarde, pela Constituição de 1988. Hoje, a ascensão de Temer, o terceiro vice afortunado numa linhagem que abrange Itamar Franco, não assinala um novo começo, mas um desfalecimento. A “Nova República” morre junto com o fim do ciclo de poder lulopetista.
A “Constituição Cidadã” de Ulysses Guimarães inaugurou uma época de ampliação dos direitos sociais, demarcando o terreno para a expansão das despesas públicas da União, dos estados e dos municípios. Aquele contrato constitucional tornou-se elemento central na estabilidade da “Nova República”. A elite política civil legitimava-se pelo compromisso de reduzir a pobreza e as desigualdades, por meio da ação estatal. Na sua dimensão econômica, o colapso da “Nova República” reflete o esgotamento da capacidade do Estado de continuar a promover a elevação dos gastos públicos em ritmo superior ao do crescimento do PIB.
A encruzilhada emerge pela terceira vez. No governo Sarney (1985-1990), a expansão das despesas públicas foi financiada pela emissão monetária, gerando uma crise de hiperinflação que consumiu o governo Collor (1990-1992) e só foi resolvida pelo Plano Real, em 1994. Na “era FHC” (1995-2002), sem o recurso à emissão monetária, o governo apelou ao aumento da carga tributária, até ceder ao imperativo do realismo e brecar a marcha dos gastos públicos. A vertiginosa queda de popularidade resultante propeliu a quarta candidatura presidencial de Lula, alçando o PT ao poder.
Na “era lulopetista” (2003-2016), surfando a onda da “globalização chinesa”, o governo acelerou os motores do gasto público. A expansão dos programas sociais, os subsídios ao consumo e os generosos financiamentos ao empresariado soldaram um extenso arco de poder, gerando triunfos eleitorais sucessivos. Contudo, sob Dilma, enfrentando a reversão do ciclo internacional, o governo insurgiu-se contra as limitações impostas pela realidade, financiando seus gastos por meio da elevação do déficit e da dívida. Do voluntarismo dilmista seguiu-se o “estelionato eleitoral” de 2014, uma depressão histórica e, no final, o impeachment. O colapso da “Nova República” deriva da impossibilidade de continuar a financiar despesas públicas crescentes sem reacender a fogueira inflacionária ou recorrer a um aumento brutal da já exagerada carga tributária.
À encruzilhada econômica, soma-se um impasse político-institucional. O sistema de regulação política fundado em 1988 degenerou no “presidencialismo de coalizão”, uma expressão cínica sob a qual se ocultam os intercâmbios criminosos entre o Executivo e o Congresso que asseguram a governabilidade. Sob a égide de Lula, os mecanismos da corrupção sistêmica atingiram um ápice, propiciado pelas complexas teias de negócios do capitalismo de estado. As Jornadas de Junho de 2013 e, depois, as manifestações de rua do impeachment evidenciaram a desmoralização generalizada da elite política. A Operação Lava-Jato descerrou o véu que cobria a captura da administração pública e das estatais pelas máfias políticas. Descosturou-se o tecido do contrato de legitimidade da “Nova República”.
O sistema político-partidário da “Nova República” evoluiu rumo a uma geometria triangular, baseada tanto na polaridade PSDB-PT quanto na oscilação pendular do PMDB. Sob as coalizões lideradas pelo PSDB e pelo PT, o equilíbrio político durou duas décadas, até a crise aberta em 2013, que destruiu as engrenagens do sistema. A agonia do lulopetismo não significará nem a morte do PT nem uma simples troca de guarda no Planalto. Corroído pelas disputas internas entre seus três caciques provincianos e ameaçado pela delação da Odebrecht, o PSDB não tem candidatos presidenciais viáveis. Já o PMDB, eterno partido governista, carece de lideranças nacionais com densidade eleitoral e aparece como alvo destacado da Lava-Jato. Há, na renúncia antecipada de Temer à candidatura presidencial em 2018, bem mais que uma vulgar manobra tática.
Na Itália, a Operação Mãos Limpas, destruiu a Democracia Cristã e o Partido Socialista. No Brasil, o que sobrará intacto até as eleições de 2018? A “Nova República” apaga-se na bruma do passado — mas nenhum sistema político alternativo surgiu para substituí-la. Temer não é Tancredo e não tem o direito de proclamar um “novo e fecundo tempo”. O terceiro vice afortunado é um gerente de ruínas. Quando, finalmente, Ricardo Lewandowski declarar o impeachment de Dilma, sugiro apenas um brinde discreto.*
(*) Demétrio Magnoli é sociólogo – O Globo

O PT rasga a bandeira de Dilma

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BRASÍLIA - Às vésperas do julgamento final do impeachment, a direção do PT rasgou a última bandeira de Dilma Rousseff: a realização de um plebiscito para antecipar as eleições presidenciais de 2018.
A presidente afastada levou meses para encampar a ideia levada por senadores amigos. Quando finalmente decidiu aceitá-la, foi sabotada por seu próprio partido. A executiva petista rejeitou a proposta por ampla maioria : 14 votos a 2.
A decisão é um presente para os escudeiros de Michel Temer. Na próxima segunda, quando Dilma enfrentar o plenário do Senado, eles poderão fazer uma pergunta irrespondível: “Como a senhora vem cobrar nossa adesão a uma ideia que nem o seu partido apoia?”.
O plebiscito surgiu como uma ideia exótica e de difícil execução. Depois que o processo de impeachment avançou, tornou-se uma proposta extemporânea. Ainda assim, parecia manter amplo apoio popular. No mês passado, 62% dos entrevistados pelo Datafolha defenderam a realização de novas eleições presidenciais.
A pesquisa mostrou um quadro de insatisfação geral com a chapa eleita em 2014. Por um lado, apenas 32% dos eleitores eram favoráveis à volta de Dilma. Por outro, só 14% aprovavam o governo Temer.
Se a promessa do plebiscito não seria mais capaz de salvar o mandato de Dilma, ao menos permitiria a ela se despedir com um discurso de apelo popular. Isso explica por que os políticos que ainda frequentam o Palácio da Alvorada ficaram tão irritados com o desdém do PT.
O partido avalia que antecipar a eleição seria um tiro no pé. O petismo só teria chances de voltar ao poder em 2018, e na hipótese de o governo Temer se desmanchar até lá. Neste cenário, Lula poderia ser candidato com a promessa de retorno aos tempos de bonança. O problema deste raciocínio é que o futuro do ex-presidente depende cada vez menos dele, e cada vez mais da Lava Jato.*
(*) Bernardo Mello Franco – Folha de São Paulo
Fonte: http://www.contraovento.com.br/

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