domingo, 31 de julho de 2016

TRIBUNA NA INTERNET

Temer depende cada vez mais de Meirelles, que ainda não deslanchou o ajuste

Meirelles tem autonomia, mas depende do apoio do Congresso
Vicente Nunes

Correio Braziliense
Um diálogo entre dois técnicos do Ministério da Fazenda resume hoje, claramente, o papel de Henrique Meirelles no governo. “Muitos têm me perguntado sobre a força do ministro e se realmente ele é respeitado pelo presidente interino, Michel Temer. A minha resposta é sempre a mesma. Ainda que Temer pensasse em não dar tanto poder a Meirelles, não correria esse risco. Ele precisa que a economia dê certo. Dilma Rousseff não caiu por causa das pedaladas fiscais nem da Lava-Jato. O que a derrubou foi a gravíssima recessão. Ela mexeu com a parte mais sensível do cidadão, o bolso”, diz um dos técnicos. “Isso significa que, mesmo com toda a pressão contrária da ala política do Planalto, Temer manterá Meirelles forte depois do impeachment?”, questiona o outro. “Não tenho dúvidas disso”, responde o interlocutor.
Não há nenhum exagero na visão desses técnicos. Por mais que o governo insista em difundir o discurso de que a economia está começando a melhorar, muita coisa ruim ainda está por vir, o que dará a sensação de que Temer não está fazendo nada ou está fazendo muito pouco para tirar o país do buraco.
DILMA JÁ ERA… – Na cabeça dos brasileiros, pelo menos da maioria, Dilma já é passado. Agora, o Brasil está sob a responsabilidade do peemedebista. E se a vida está ruim, a culpa é dele. Portanto, não é o caso de brincar com fogo agora. Queira ou não queira o interino, Meirelles se tornou o fiador de que tempos melhores estão por vir. Entregar o ministro ao fogo amigo neste momento seria sentenciar o fracasso antecipado do governo.
Um sinal eloquente de que o descontentamento da população está longe do fim foi a taxa de desemprego divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 11,3% — um recorde. A destruição do mercado de trabalho continua a todo vapor, apesar dos sinais de retomada da confiança que o governo tanta alardeia.
São 11,6 milhões de desocupados, contingente que continuará crescendo enquanto a página da recessão não for, definitivamente, virada. A renda média, de R$ 1.972, é a menor desde 2012. Das poucas vagas que o país ainda está criando, a maioria está na informalidade. A precarização do emprego é visível. Não há a desejada rede de proteção social.
ECONOMIA ESTRAÇALHADA – Nas conversas diárias que tem com Temer, o ministro da Fazenda apresenta números de que o quadro econômico está melhor do que há três meses, quando Dilma agonizava. Mas tudo é muito mais discurso do que realidade. A economia está estraçalhada. Reconstruí-la levará muito tempo. O próprio Meirelles ainda não conseguiu dar um jeito nas contas públicas.
O governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência) registrou, nos primeiros seis meses do ano, rombo de R$ 32,5 bilhões. Sabe-se que o segundo semestre será muito, mas muito, pior. O deficit entre julho e dezembro pode chegar a R$ 138 bilhões. Esse número precisa ser confirmado para que o governo não estoure a projeção de um buraco de R$ 170,5 bilhões.
Apesar de monstruoso, o rombo pode ser maior. Tudo dependerá de como se encaminharão as receitas. Todas as fontes de arrecadação estão em queda, sem perspectiva de recuperação.
NÃO HÁ ALÍVIO – A confiança dos agentes econômicos, que Meirelles diz estar voltando, não se traduziu, até agora, em alívio para a Receita Federal. Mesmo as empresas que têm caixa estão segurando o pagamento de tributos, temendo ficar descapitalizadas. Será preciso uma virada mais forte na economia para que esse tipo de ação preventiva seja abandonada. O governo acredita que o grande marco para um cenário mais benigno será a aprovação definitiva do impeachment de Dilma Rousseff.
Quando pede que o processo de afastamento da petista ocorra dentro do prazo, ou seja, até o fim de agosto, Temer reforça o temor de que o protelamento da votação no Senado acabe provocando mais instabilidade. Os agentes econômicos não querem nem ouvir falar na possibilidade de a votação do impeachment se arrastar para além de setembro.
A razão é simples. Todo o cronograma traçado pelo governo para a aprovação do projetos que garantirão o ajuste fiscal — sendo o mais importante deles, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o aumento dos gastos à inflação do ano anterior — tem que ser cumprido até o fim deste ano. Se não for, o presidente interino terá que prestar contas com os mercados, que deram um importante voto de confiança a ele. Certamente, será o pior dos mundos.

Juízes repudiam ato de Lula na ONU, por tentar intimidar a Justiça

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)
cHARGE DO sPONHOLZ
Deu no Estadão
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) manifestou nesta quinta-feira, 28, seu repúdio à petição encaminhada pelo ex-presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) na qual denuncia o juiz Sérgio Moro e os procuradores da República que atuam na Operação Lava Jato por “falta de imparcialidade” e “abuso de poder.”
Para a entidade, a Corte Internacional não deve ser utilizada para constranger o andamento de quaisquer investigações em curso no País e, principalmente, aquelas que têm como prioridade o combate à corrupção. A AMB diz ver com “perplexidade” as “tentativas de paralisar o trabalho da Justiça brasileira”.
“O Brasil possui órgãos constituídos de controle interno e externo para acompanhar o trabalho desempenhado pela magistratura. É inadmissível a utilização de quaisquer outros meios, que não os legais e constitucionalmente estabelecidos, para tentar inibir o trabalho de agentes públicos no desempenho de suas funções”, diz a nota.
MORO É UM EXEMPLO
Para a entidade, o juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato é exemplo da intimidação aos magistrados de todo o País e “tem sido alvo recorrente de grande pressão” por sua atuação na operação.
No texto, a associação ainda reitera as críticas ao Projeto de Lei do Senado (PLS) que altera os crimes de abuso de autoridade. “Nas entrelinhas, o projeto prevê uma série de penalidades para tentar paralisar juízes e juízas, além de procuradores e policias, por desempenharem o seu ofício como determina a legislação”, diz a entidade lembrando que, caso estivesse em vigor, a lei inviabilizaria uma operação como a Lava Jato.
“O País e toda a sociedade precisam estar atentos aos ataques contra o Poder Judiciário, para que tal absurdo não avance no Congresso Nacional, com o único objetivo de favorecer investigados e envolvidos em grandes casos de corrupção”, segue a nota da AMB.
Por fim, a entidade aponta a importância de um “Judiciário forte e independente” e diz que qualquer movimento contrário “será um retrocesso contra a transparência e a resposta que o povo brasileiro espera no combate à corrupção”.
Fonte: http://www.tribunadainternet.com.br/

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