domingo, 24 de julho de 2016

A MUTRETEIRA AFASTADA

Neurônio coxinha

Dilma Rousseff logo estará apoiando o impeachment de Dilma Rousseff

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 “Uma das constatações que temos que fazer é que algo não deu certo, tanto é que eles estão lá, e nós, aqui”. (Dilma Rousseff, a Assombração do Alvorada, durante uma aparição numa universidade do ABC, fingindo não saber que tudo o que deu errado está no site da Operação Lava Jato)

Pugilista doméstico

Eduardo Paes faz questão de repassar o cargo a um empregado de estimação

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 “Até gosto dele, me apoiou na eleição passada, mas é preposto empregado do bispo Macedo. Nada contra a Igreja Universal, nem o bispo Macedo, mas não pode querer colocar um empregado na prefeitura”. (Eduardo Paes, prefeito do Rio, ao criticar a candidatura de Marcelo Crivella, reiterando que prefere como sucessor seu empregado Pedro Paulo Carvalho, que só fala grosso com a própria mulher)

Decorador de poste

Marqueteiro do PT recebeu dinheiro sujo para fantasiar de rainha a embusteira inventada por Lula

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 “Eu raciocinava comigo, eu que ajudei de certa maneira a eleição dela não seria a pessoa que iria destruir a presidência, trazer um problema. Nessa época já iniciava o processo de impeachment, mas ainda não havia nada aberto, e sabia que isso poderia gerar um grave problema até para o próprio Brasil”. (João Santana, ex-marqueteiro de Dilma Rousseff, engaiolado pela Lava Jato, ao confessar a Sérgio Moro que recebeu dinheiro sujo na campanha de 2010, reforçando a tese de que é preciso instituir a prisão perpétua e aplicá-la a quem faz o diabo para instalar um poste na Presidência da República)*
(*)  Blog do Augusto Nunes

TÁ DEMORANDO, JUIZ MORO

Moro diz que tinha elementos para prender Lula em março

Em resposta à defesa do petista, juiz disse que preferiu adotar uma medida ‘menos gravosa’: a condução coercitiva

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SÃO PAULO — Em resposta aos advogados do ex-presidente Lula, o juiz Sérgio Moro não só rebateu a afirmação de que deveria se colocar em suspeição nas investigações como disse que havia elementos suficientes para decretar a prisão temporária do petista em março, mas optou por uma medida “menos gravosa”: a condução coercitiva. Defensores de Lula criticaram interceptação telefônica obtida, segundo eles, de forma “ilegal” e usada de maneira “parcial”.
“Rigorosamente, a interceptação revelou uma série de diálogos do ex-presidente nos quais há indicação, em cognição sumária, de sua intenção de obstruir as investigações, como no exemplo citado, o que por si só poderia justificar, por ocasião da busca e apreensão, a prisão temporária dele, tendo sido optado, porém, pela medida menos gravosa da condução coercitiva”, afirmou o juiz em seu despacho.
No documento de 15 páginas protocolado nesta sexta-feira, Moro afirmou que não vai abrir mão do caso e que “falta seriedade” à argumentação dos advogados de Lula.
“Não há nenhum fato objetivo que justifique a presente exceção, tratando-se apenas de veículo impróprio para a irresignação da defesa do excipiente (Lula) contra as decisões do presente julgador e, em alguns tópicos, é até mesmo bem menos do que isso.
Além do argumento de que Moro ordenou medidas de maneira “ilegal” e “parcial”, os advogados do petista afirmam que o juiz seria suspeito pois teria levantado ilegalmente o sigilo sobre diálogos interceptados. Eles dizem ainda que o Moro teria préjulgado Lula ao prestar informações ao Supremo Tribunal Federal e seria suspeito porque ter relacionamento com a imprensa.
“Falta seriedade à argumentação da defesa”, afirma o juiz
Os advogados de Lula chegam a afirmar que o juiz tomou medidas contra Moro por conta de razões política-eleitorais. O juiz rebate:
“Trata-se aqui de afirmação falsa. Este julgador jamais participou de evento político. Nenhum dos eventos citados, organizados principalmente por órgãos da imprensa, constitui evento político”
Ontem, os advogados voltaram a atacar Moro “O juiz Sergio Moro recusou-se a reconhecer que perdeu a imparcialidade para julgar o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apresentou sua defesa para futuro julgamento pelo Tribunal Regional Federal da 4ª. Região. A defesa apresentada por Moro, todavia, apenas deixou ainda mais evidente a sua parcialidade em relação a Lula, pois a peça: (a) acusa; (b) nega, de forma inconsistente, as arbitrariedades praticadas; (c) faz indevidos juízos de valor; e, ainda, (d) distorce e ignora fatos relevantes.
“Ao deixar de reconhecer que perdeu a imparcialidade para julgar Lula, diante de tão relevantes fatos, o juiz Moro comete inequívoco atentado contra a Constituição Federal e, ainda, contra os Tratados Internacionais que o Brasil se obrigou a cumprir, que asseguram a figura de um juiz imparcial e de um julgamento justo. Os advogados de Lula tomarão todas as providências necessárias para que seu cliente não seja submetido a novas arbitrariedades”, afirma a nota assinada por Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira.*
(*) Renato Onofre – O Globo

TAPANDO O SOL COM PENEIRA

Olimpíada, um fracasso anunciado

SÃO PAULO - O futuro é incerto? Eu apostaria que sim. O demônio de Laplace, isto é, a ideia de que um intelecto superpoderoso que conhecesse as leis da física e as posições atuais de todos os átomos do Universo saberia automaticamente o passado e o futuro de tudo, perdeu popularidade do século 19 para cá.
Não apenas não nos é possível na prática reunir tamanho conhecimento como, diante do inegável sucesso da mecânica quântica, há motivos para acreditar num Universo menos determinista, que traz algum grau de incerteza inscrito em seu âmago.
Apesar desses problemas intratáveis, há situações em que é relativamente fácil prever o futuro. A percepção de que a Rio-2016 se revelaria um péssimo investimento entra nessa categoria. Em 2009 escrevi a coluna “Pesadelo olímpico”, na qual antecipava algumas das encrencas fiscais agora evidentes. Dois anos antes, por ocasião do Pan, já anunciava, no texto “Entregando o ouro”, meu receio pelo buraco financeiro que contrataríamos caso o Rio viesse a ser escolhido para sediar os Jogos.
Obviamente, não tenho parte com o demônio de Laplace. Minhas previsões eram fáceis por uma razão bastante simples: no agregado, pessoas e governos se comportam de modo muito semelhante. A esmagadora maioria das cidades que hospedaram uma Olimpíada, quando fizeram as contas na ponta do lápis, constataram que haviam feito um péssimo negócio. A tendência é tão saliente que os economistas já haviam até cunhado a expressão “maldição olímpica” para designar o fenômeno. E, se nem países desenvolvidos se deram bem nesse jogo, no caso do Brasil o sensato a fazer era multiplicar por “n” o tamanho do prejuízo.
Há aí uma lição para a vida. Nunca confie em projeções interessadas e nem mesmo em como sua imaginação pinta o futuro. Se você quer um guia um pouco menos incerto, verifique como se encontram aqueles que já passaram pela situação.*
(*) Hélio Schwartsman – Folha de São Paulo

A CASA CAIU

Santana e Mônica Moura dão empurrão para impeachment de Dilma

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BRASÍLIA - ”Não autorizei pagamento de caixa 2 a ninguém. Se houve pagamento, não foi com o meu conhecimento”, reagiu Dilma Rousseff à confissão do marqueteiro João Santana de que recebeu por debaixo do pano US$ 4,5 milhões da campanha dela de 2010.
A presidente afastada recorre a poucos caracteres para adotar a estratégia lulista de defesa: a falcatrua pode até ter ocorrido, mas se de fato ocorreu, foi sem a ciência do seu maior beneficiário — no caso, a própria Dilma, eleita presidente e sucessora de Lula naquele ano.
No depoimento ao juiz Sérgio Moro na quinta (21), Mônica Moura, mulher de João Santana, contou que inventou, na ocasião da prisão do casal, a versão de que recebera os US$ 4,5 milhões como um pagamento de uma campanha feita no exterior.
Alegou que escondeu a informação de que era caixa 2 da campanha de Dilma para não incriminar a petista em meio ao processo político em curso contra ela. “As coisas que estavam acontecendo em torno da presidente Dilma, não preciso falar sobre isso, todos sabem”, disse. “Eu queria apenas poupar de piorar a situação do que estava acontecendo naquele momento”, ressaltou Mônica.
O casal foi preso no dia 23 de fevereiro. Na época, o debate sobre o impeachment circulava — novamente — sob temperatura morna, num certo estado de dormência no Congresso.
Aquela mentira contada por Mônica Moura aos investigadores pode ter ajudado de alguma maneira a adiar a saída temporária de Dilma, mas a revelação agora do caixa 2, mesmo que tardia, enfraquece uma presidente afastada, abandonada por aliados, e vivendo dias de isolamento no Alvorada.
A pouco mais de um mês do julgamento do impeachment no Senado, João Santana e Mônica Moura contribuem politicamente para tornar ainda mais remota a chance de retorno ao Palácio do Planalto da cliente que ajudaram, por duas vezes, a ser eleita presidente da República.*
(*)  Leandro Colon – Folha de São Paulo

A FONTE SECOU

Acabou o dinheiro

Tanto caixa 2 fizeram candidatos, partidos e doadores nas eleições passadas, tantos escândalos causaram, que o financiamento de campanhas políticas por empresas não corre mais o risco de voltar
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Tanto caixa 2 fizeram candidatos, partidos e doadores nas eleições passadas, tantos escândalos causaram, que o financiamento de campanhas políticas por empresas não corre mais o risco de voltar. “E se voltar, ninguém mais vai querer doar. Os empresários já estão dizendo isso. Para eles, acabou. Doar dinheiro para campanhas políticas no Brasil tornou-se uma atividade perigosa”, alerta o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Até há um tempo não era. Mas se tornou. Tanto é que boa parte dos dirigentes empresariais e de partidos políticos do País ou está na cadeia ou usa tornozeleira eletrônica. João Santana, o marqueteiro de uma campanha de Lula e de duas de Dilma Rousseff, todas vitoriosas, acaba de confessar ao juiz Sérgio Moro que parte de seus ganhos veio do caixa 2, e que mentiu anteriormente sobre a origem do dinheiro porque, tendo ajudado a eleger Dilma, não queria destruí-la.
Relator da última e frustrada reforma política, Maia é defensor do financiamento privado de campanha. Mas ele se diz pé no chão. Sabe que não tem volta. “O jeito é tentar aprender com o caos que se transformará a eleição municipal deste ano, sem a doação de pessoas jurídicas, e verificar o que pode ser melhor adaptado ao financiamento público.”
Na terça-feira, Maia e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), jantaram com o presidente em exercício Michel Temer. A ideia era fazer um pacto de colaboração entre Executivo e Legislativo, de forma que a proposta de interesse do governo que for aprovada por uma das Casas deverá ser apreciada logo pela outra. Uma forma de ganhar tempo.
Mas não houve jeito. As consequências da Operação Lava Jato na política logo entraram na conversa. Renan disse que era preciso fazer uma reforma política para a eleição presidencial de 2022. Maia rebateu. Afirmou que algo precisa ser preparado já para 2018, para a sucessão presidencial. O presidente interino concordou. Fazer o quê?
Os três concluíram que o atual sistema político e eleitoral está condenado pela sociedade. O eleitor hoje rejeita as campanhas caríssimas que acabam por levar ao caixa 2. Falaram sobre o fim das coligações para as eleições proporcionais e a instituição da cláusula de desempenho de voto para que um partido possa existir e ter representação no Congresso. É um remendo, concluíram, um remendo apenas.
Sem uma saída à vista, os três ficaram de chamar os presidentes de todos os partidos para dar início à busca de uma solução para a questão partidária e eleitoral.
A princípio, não há como fugir do financiamento público de campanha, visto que o financiamento de pessoa jurídica está proibido.
A questão é criar as regras para que esse tipo de financiamento seja regulamentado, além de um enorme trabalho de publicidade para convencer o cidadão de que, a partir de agora, ele é que vai financiar as campanhas eleitorais por intermédio do imposto que paga. Não será fácil, principalmente no momento, com o País tão quebrado.
Com o financiamento público das campanhas, é bom esquecer o voto aberto, como é hoje, em que o eleitor vota no candidato de sua preferência e não no partido. É excessivamente caro.
Pelas fórmulas conhecidas no mundo, restariam o sistema distrital, em que cada Estado é dividido em distritos, o distrital misto, com votos em distritos e em todo o Estado, e o voto numa lista fechada, estabelecida pelo partido.
De todos os três sistemas, o mais barato é o voto em lista, pois não exige propaganda dos candidatos, mas dos partidos. Será uma novidade e tanto. Mas talvez a única a se enquadrar dentro das possibilidades oferecidas pelo financiamento público.*
(*)  João Domingos – Estadão

O DONO DO “PUDÊ”

‘Calheiraslândia’ – o reino dos Calheiros!

a Calheiros - Obrando no Congresso
Renan Calheiros é presidente (até o momento) do Senado. Está bem próximo da linha sucessória presidencial da República. Mas o poder de Calheiros não se resume a esfera federal. E, de fato, esse pode ser definido no plural: os poderes dos Calheiros. Já que o assunto predominante aqui no espaço de sexta é política municipal, vamos viajar à um município que fica a 50 quilômetros de Maceió, capital de Alagoas.
Murici tem 27 mil habitantes. O perfil socioeconômico do local é uma réplica fiel do coronelismo de outrora. Um terço dos moradores não são alfabetizados. A taxa era de 43,46% em 2000, segundo o IBGE. O IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, é de 0,58. A escala vai de 0 a 1. A cidade não tem a atenção do resto da população brasileira, a menos que haja uma catástrofe. No entanto, há uma peculiaridade: o município é administrado por mais de 30 anos pelo clã dos Calheiros. Das três décadas, duas foram de poderes ininterruptos da família. A história começou em 1980, quando major Olavo, patriarca dos Calheiros, conquistou a prefeitura pela primeira vez. Foi dele a ideia de distribuir peixes aos pobres na Semana Santa. A prática foi repetida neste ano, em 2016, pelo atual prefeito de Murici, Remi Calheiros, do PMDB. Foram distribuídas 20 toneladas de pescado! Assistencialismo é o que não falta na cidade. Ah, a Secretaria de Assistência Social é administrada por um Calheiros também, esposa do prefeito, Soraya Calheiros, cunhada de Renan.
Você pode estar imaginando qual a vantagem em passar o comando de uma cidade cuja população é predominantemente pobre de geração em geração, para uma mesma família. A renda gerada pelo povo não é o motivo. O “filé” do lucro mesmo vem do governo federal. Só em 1996, a prefeitura recebeu R$ 40 milhões da União por meio de convênios. E por aí vai, de geração em geração, abocanhando verbas federais…
No fim do ano passado, o prefeito Remi Calheiros ficou exaltado com um adversário político local, que o acusou de promover o coronelismo na região. O deputado federal João Henrique Caldas, o JHC, usou suas redes sociais para dizer que foi agredido verbalmente pelo Calheiros. A confusão aconteceu durante a visita do parlamentar à comunidade Portelinha, na periferia do município: “Vi de perto o sofrimento e a miséria do povo na cidade do governador e do presidente do Senado e não vou me calar em relação a esse absurdo. Alagoas não é terra sem lei, esse tipo de atitude medieval tem de ser combatida. Não vou arrefecer da minha luta”, finalizou o parlamentar. Se você quiser assistir a confusão, eis o vídeo: https://youtu.be/ZfVFMFG1dNU
Até quando a cidade de Murici será uma “Calheiraslândia”? Até quando o sofrimento de um povo servirá de ferramenta para os desmandos e a exploração de um clã político? Até quando, Brasil?*
(*)  Blog do Humberto Dantas – Estadão

A AFASTADA “HONESTA”

Um legado de Dilma

Os marqueteiros não deixam dúvidas: a corrupção faz parte do catastrófico legado da petista
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A ironia é irresistível: como é que esse pessoal tem coragem de fazer isso com uma mulher honesta? Essa deve ser a pergunta que estão fazendo os estupefatos brasileiros que tomaram conhecimento da surpreendente revelação de que havia caixa 2 nas campanhas eleitorais de Dilma Rousseff. É inacreditável, porque Dilma, a honesta, e o PT não se cansam de repetir que todos os recursos financeiros que passam por suas campanhas eleitorais são “recebidos na forma da lei e registrados na Justiça Eleitoral”. Mas a fonte é insuspeita: o marqueteiro João Santana e sua mulher e sócia, Mônica Moura, que acham tudo isso muito feio, mas confessaram ao juiz Sérgio Moro que tiveram que fazer o que fizeram porque, senão, “vem outro e faz”. Não por coincidência, é assim que pensam também os políticos gananciosos, bem como os maus empresários que antes preferem competir à margem da lei, pelo atalho da corrupção, do que pelo aumento da qualidade e a redução dos custos e dos preços de seus produtos e serviços.
O cinismo e a hipocrisia dos depoimentos prestados em Curitiba, no âmbito da Operação Lava Jato, pelo marqueteiro oficial das últimas campanhas presidenciais do PT e por sua companheira e cúmplice, ao trazerem a público aquilo que todo mundo sempre soube e doravante a honesta Dilma não poderá continuar negando, evidenciam a completa deterioração dos padrões de moralidade naquilo que a política tem de mais vital: o jogo eleitoral. Não se pode dizer, numa República que teve suas primeiras décadas marcadas pela ampla manipulação do resultado das urnas, que a fraude eleitoral seja uma novidade. Mas há pouco mais de 35 anos entrou em cena um partido que, apresentando-se como dono da verdade e da virtude, logrou tornar-se a mais importante força política graças à anunciada disposição de lutar “contra tudo isso que está aí”.
Pois é exatamente esse, o Partido dos Trabalhadores, que aliado ao que há de pior na vida pública e privada – do coronelismo nordestino ao banditismo sindical e empresarial – cometeu um escandaloso estelionato eleitoral em 2014. Por força do exagero da sede com que foi ao pote, o PT acabou prestando à democracia brasileira o favor de facilitar a tarefa das investigações policiais que lancetaram o tumor da corrupção e deixaram vazar a secreção pútrida das práticas mentirosas e ilegais das campanhas eleitorais.
Se permanecesse fiel a suas promessas de moralizar a política, o PT poderia ter usado o grande poder político de que por algum tempo dispôs para pelo menos minimizar as práticas criminosas que comprometem a lisura das urnas. Em vez disso, as campanhas eleitorais se tornaram cada vez mais caras e contaminadas por práticas ilegais, como admitiu João Santana em seu depoimento ao juiz Moro: “Acho que é preciso rasgar o véu da hipocrisia que cobre as relações políticas eleitorais no Brasil e no mundo”.
Mônica Moura, que era responsável pela administração financeira da dupla, admitiu ter recebido, “como caixa 2, mesmo”, US$ 4,5 milhões relativos à campanha presidencial de 2010. E explicou: “Os partidos não querem declarar o valor real que recebem das empresas e as empresas não querem declarar o quanto doam. Ficamos no meio disso. Não era uma opção minha, mas uma prática não só do PT, mas de todos os partidos”.
O casal tentou fazer crer que não contou nada no interrogatório que se seguiu à prisão, no início do ano, porque tinha a intenção de preservar a imagem de Dilma Rousseff: “Eu achava que isso poderia prejudicar a presidente Dilma”, afirmou o publicitário. “Eu que ajudei, de certa maneira, a eleição dela, não seria a pessoa que iria destruir a presidente.” Mônica Moura acrescentou: “Para ser sincera, eu não quis incriminá-la, porque achava que ia piorar a situação. Queria apenas me poupar de piorar a situação”. Pelo jeito, nenhum dos dois entende que haja agora alguma maneira de impedir que a “situação” de Dilma piore.
Os marqueteiros de Dilma não deixam dúvidas: a corrupção faz parte do catastrófico legado dela.*
(*)  Editorial do Estado de São Paulo
A MUTRETERA AFASTADA
Dilma agora critica reajustes para funcionalismo
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Dilma Rousseff criticou nesta sexta-feira os reajustes salariais concedidos ao funcionalismo pelo presidente interino Michel Temer. “Eu acho que há um excesso nessa história de você dar aumento, numa situação difícil para o país, para aqueles que ganham mais”, disse Dilma, em entrevista radiofônica. “Não tenho nada contra o aumento dos servidores. Acho que os servidores são merecedores. Mas, diante das dificuldades, você não pdoe dar aumento para aquelas camadas do funcionalismo público que ganham mais.”
Ironicamente, a principal justificativa de Temer para sancionar o regime de engorda dos contracheques dos três Poderes é a alegação segundo a qual os aumentos já haviam sido “negociados pelo governo anterior”. Nessa versão, o Planalto atearia fogo nas repartições, provocando um surto de greves, se retirasse da boca dos servidores públicos o doce que Dilma prometera.
Com o apoio declarado do Planalto, o Congresso aprovou reajustes que sorverão dos cofres do Tesouro R$ 52,9 bilhões até 2019. Foram beneficiadas corporações do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Na entrevista, Dilma atacou o aumento às “camadas que ganham mais” sem especificar a que fatias da folha salarial se referia.
Ouça abaixo a íntegra da entrevista da presidente afastada. Ela também falou sobre o caixa dois de R$ 4,5 milhões que o marqueteiro João Santana disse ter recebido para fazer sua campanha em 2010. Em nova edição do bordão “eu não sabia”, Dilma alega que não autorizou a mutreta.*
(*)  Blog do Josias de Souza

NÃO DÁ MAIS PRA ENGANAR A TODOS

O “estabaco” olímpico de dona Luiza e o Programa Espacial Brasileiro

Vamos descobrindo que as coisas podem dar mais errado do que imaginávamos. Será que precisamos de um tombo para acordar do pesadelo?

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No dia 2 de outubro de 2009 nós, brasileiros, recebemos eufóricos a notícia da escolha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. A festa da delegação brasileira presente à reunião do Comitê Olímpico reunida em Copenhagen, transmitida ao vivo, logo se transformou em um carnaval pelo país afora. Entre 2009 e 2010 aqui no Brasil vivíamos outra realidade, diferente do resto do mundo, especialmente dos Estados Unidos e da União Europeia – atônitos e tateando no escuro na busca de remédios para a crise iniciada em meados de 2008 e que se configurou como a maior e mais complexa das crises econômicas mundiais desde 1930.
Nossas cabeças de brasileiros estavam tranquilas e serenas. Assegurados pelo presidente Lula, estribado em uma aprovação de quase 80%, que lhe conferia uma enorme credibilidade, contemplávamos confiantes o futuro, certos de que a crise por aqui não seria mais que uma “marolinha”.
Empreiteiros felizes com a caderneta lotada de encomendas para Copa e Olimpíada pelos governos federal, estaduais e municipais: estádios novinhos e um sem-número de obras, principalmente para mobilidade, em 12 cidades; banqueiros vivendo felizes o mundo do juro lá em cima e o crédito fácil e subsidiado; pelo menos um quarto dos brasileiros recebendo algum um tipo de bolsa ou subsídio público; o varejo bombando como “nunca na história deste país” vendendo TVs de tela plana e smartphones aos milhões. Junte-se a tudo aquele sentimento oficial e público de termos tirado o bilhete premiado simbolizado pela descoberta de petróleo no pré-sal. O Brasil só podia ser feliz. Tínhamos a melhor das perspectivas de aparecer bem na foto como anfitriões dos mais inesquecíveis megaeventos planetários representados pela Copa 2014 e pela Olimpíada 2016.
Não tinha chance de dar errado. Mas vamos descobrindo que as coisas podem dar mais errado do que poderíamos imaginar. Agora, não deixa de ser emblemático o “estabaco” que dona Luiza Trajano, a empresária ícone do otimismo que vivemos até recentemente, sofreu ao se voluntariar para carregar a tocha olímpica.
Nós, brasileiros, precisamos ir mais fundo em nossa autoanálise e reconhecer como perdemos completamente os rumos como nação. Nossa incapacidade completa de formular quaisquer ideias ou visões verdadeiramente estratégicas. Incapacidade que segue nos aprisionando na maldição de ser para sempre o “país do futuro”.
Fico perplexo ao perceber tantas chances que desperdiçamos, tantas coisas que fomos capazes de jogar pela janela. Deparei recentemente com um livro que realiza um histórico do Programa Espacial Brasileiro. Trata-se de livro publicado por uma pesquisadora brasileira estranhamente lançado por uma editora em Portugal. Compreensível? Talvez pelo fato de em nosso país as editoras se interessarem mais pela demanda por livros de colorir para adultos e de autoajuda escritos por padres pops.
Não sou daqueles que dizem tolamente que “o Brasil precisa é de saneamento básico e não de foguetes”. Pelo contrário. Entendo que um país que investe ampla e seriamente em ciência e desenvolvimento tecnológico é uma nação capaz de reter um amplo leque de cérebros, criando reserva de inteligência que pode ser mobilizada e dedicada a solucionar os mais variados tipos de problemas.
Tecnologista sênior do Museu de Astronomia e Ciências Afins, no Rio de Janeiro, Ana Lucia Villas-Boas, socióloga e ph.D. em ciências sociais, pela agonizante Universidade Estadual do Rio de Janeiro – agonizante porque o estado do Rio de Janeiro se encontra falido e a referida universidade corre o risco de ser simplesmente extinta –, faz em seu livro, intitulado Programa Espacial Brasileiro: militares, cientistas e a questão da soberania nacional, mais propriamente uma autópsia do que uma análise atual do que é nosso programa espacial.*
(*)  Ricardo Neves – Época

Ô COITADOS!

Prendam esse boneco

Estamos diante de mais uma tentativa de golpe contra os companheiros. 
Como sofre essa elite vermelha!

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O boneco inflável de Ricardo Lewandowski é o mais novo investigado pelo Supremo Tribunal Federal. O presidente da Corte máxima pediu à Polícia Federal que aja contra essa “grave ameaça à ordem pública e inaceitável atentado à credibilidade” do Judiciário. Ou seja: estamos diante de mais uma tentativa de golpe contra os companheiros. Como sofre essa elite vermelha!
Se o atentado é inaceitável, a coisa deve ser grave mesmo. Por curiosidade: o que seriam atentados aceitáveis? Tráfico de influência no STF, por exemplo, seria um atentado aceitável? Aparentemente, sim. Senão, a tropa de choque petista que há anos corta um dobrado no Supremo para defender Lula e Dilma no mensalão e no petrolão já estaria em maus lençóis.
Mas estão todos muito bem, obrigado, sob suas togas. Tanto que Sergio Moro, esse terrorista a serviço da elite branca, foi instado a prestar informações sobre os grampos de Lula. Adivinhe por quem? Acertou: por Lewandowski, o ministro inflável.
A relação de afilhados inflados pelo filho do Brasil é extensa – e não param de aparecer novos felizardos. A Lava Jato está investigando o ex-garçom inflável que hoje anda de Porsche e detém empresas como a gráfica Focal, que recebeu R$ 24 milhões da campanha de Dilma, no amor. Veja como pode ser proveitoso passar com uma bandeja à frente de Lula no ABC paulista. Você só continua garçom porque não atendeu o freguês certo.
O garçom de Lula tem estreitas relações com a família Demarchi, de onde partiu a indicação de Lewandowski para o círculo do próprio Lula – uma história bonita que atingiu seu clímax no Supremo Tribunal Federal. Um ex-operário que fez bem a tanta gente não pode terminar na cadeia – e os supremos companheiros estão aí para isso.
Dias Toffoli soltou o ex-ministro Paulo Bernardo, mesmo com o risco concreto de novos crimes de lavagem – e logo a seguir surge um relatório da Receita Federal indicando a ligação entre o braço direito de Bernardo e as negociatas da campanha de Dilma envolvendo a gráfica Focal. Dá para entender quanto é importante um bom círculo de amizades?
E prossegue a impressionante sequência de atentados aceitáveis, produzidos pelos amigos dos ministros infláveis. A PF descobre na delação do ex-presidente da Andrade Gutierrez a evidência de que um ex-diretor do BNDES negociou propina na veia para o PT. É mais um flagrante do uso obsceno dos maiores bancos públicos do país por Lula e Dilma – que bastariam, relacionados aos demais delitos, para tipificar a cúpula do governo do PT como quadrilha, com todas as medidas policiais preventivas e coercitivas necessárias para sustar a gestão do patrimônio criminoso. Mas o STF tomou a providência de decretar que a quadrilha não é quadrilha.
Então fica tudo bem. E ficamos sabendo que a Odebrecht, vitaminada pelo BNDES sob a varinha de condão de Lula, escalou uma empresa afiliada para comprar um imóvel de 5.000 metros quadrados para o Instituto Lula – mesma empresa que pagou jatinho para levar o ex-presidente a Cuba. O mesmo BNDES onde floresceram as jogadas do ex-ministro Fernando Pimentel, amigo do peito de Dilma – laranja de Lula, que ocupou a Presidência para dar cobertura a essa farra toda.
Um boneco inflável com a cara de Ricardo Lewandowski perambulando pela Avenida Paulista é um atentado inaceitável à credibilidade de um tribunal que vem blindando, como pode, essa dupla do barulho. A investigação da dobradinha de criador e criatura para calar o companheiro Cerveró foi tirada das mãos de Sergio Moro. Tudo o que chega lá implicando a mulher honrada, afastada e do lar é indeferido. Até o rito de impeachment na Câmara foi operado pelo Supremo, em evidente atropelo institucional, para tentar refrescar os padrinhos delinquentes. Como se vê, há pouco que um boneco inflável possa fazer para prejudicar essa credibilidade.
As sabotagens ao impeachment não adiantaram nada – como, ao final das contas, não vão adiantar todas as outras pantomimas solidárias. Lula e Dilma cometeram uma avalanche de crimes, estão fora do poder e a Lava Jato não é comprável pela elite vermelha. Mas a história há de registrar que, durante o maior assalto aos cofres da nação, a ordem pública foi gravemente ameaçada por um boneco inflável.*
(*)  Guilherme Fiúza – Época
Fonte: http://www.contraovento.com.br/

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